De tudo que existe, nada é tão estranho como as relações humanas, pensou ela, com suas mudanças, sua extraordinária irracionalidade. (Virginia Woolf, escritora inglesa)
Para não viver em vão
Por Ricardo Gondim*
Para não viver em vão é preciso oscilar entre as margens do bem e do mal, do ódio e do amor, da delicadeza e da estupidez. Por algum motivo, a sabedoria milenar acertou: a virtude pertence aos moderados. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
Para não viver em vão é preciso flutuar com leveza. Se necessário, encher os pulmões de nitrogênio e acompanhar o voo dos balões. E se o desejar ir às alturas for inevitável, não deixar que o fascínio das nuvens roube o acocorar-se ao lado de quem está agrilhoado à crueldade da vida.
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A vida é muito curta para tomarmos às costas o fardo dos erros alheios. Cada um vive como quer e paga pelo que faz. Só é triste que muitas vezes se deva pagar por uma só falta. E a expiação não tem fim. Nos seus negócios com o homem, o destino nunca fecha a conta. (Oscar Wilde in O retrato de Dorian Gray, p. 153)
Porque a vida é breve
Por Ricardo Gondim*
Porque a vida é breve me deixo atrair pelo insólito. E com ele, desperto a coragem de correr riscos. Cito Rubem Alves: ?Os homens buscam a segurança para fugir da morte. Eles não sabem que a segurança é a morte em vida?. Noto os dias desaparecerem em nacos semanais. As semanas se diluem em meses. Os meses se esfarelam em anos. E os anos se acabam nas décadas. Inconformado com a ladeira do tempo, não permito que a vida despenque em direção ao nada. Se o relógio acelera na loucura do dia a dia, canto com Lenine:
?Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara?.?
Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez. (Simone de Beauvoir)
Pensar não entorpece a vida
Por Aline Menezes
Jornalista e professora de Leitura e Produção de Texto
A ausência de reflexão no homem é a atrofia dos lugares-comuns. Sempre explico para os meus alunos que, num texto dissertativo, por exemplo, precisamos evitar os clichês, aquelas expressões que, de tão utilizadas, servem para tudo, servem para argumentar ou tentar argumentar sobre qualquer coisa. Sempre explico para os meus alunos que, num texto dissertativo, devemos ser objetivos, precisos na linguagem. Explico que devemos escolher a ordem direta das orações, assim como devemos nos manter claros, coesos, coerentes. Explico também que, num texto dissertativo, devemos defender uma ideia ou um ponto de vista... enfim, todas aquelas lições que os nossos professores de redação nos ensinaram (ou, pelo menos, deveriam...). Além disso, procuro fazê-los ter curiosidade pelo estudo da gramática, não da maneira equivocada e entediante que muitos professores de português já fizeram... porque, para mim, mais importante do que qualquer regra gramatical é incentivar os alunos ao pensamento autônomo e independente.