Homo sapiens »

[ 28 de Março de 2011 | 2 feedbacks » | 725 visualizações]

Ouvindo Passenger by Lisa Hannigan

Tenho algumas paixões na vida: duas delas são escrever e ouvir cantoras e compositoras. A primeira, desde criança,  começou como a maneira mais honesta de expressar o que sinto até fazer parte de minha profissão. A segunda, a de dizer o que eu gostaria de ter cantado ou de como eu gostaria de ter dito.

Penso que eu conseguiria viver sem muitas coisas, mas se me tirassem o lápis e o bloco de notas, eu me sentiria terrivelmente incompleta. Porque escrever, para mim, é o que mais me importa. É vasculhar o repertório da língua para encontrar as palavras que melhor reproduzam algo aqui de dentro.

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[ 26 de Maio de 2010 | 1 Feedback » | 966 visualizações]

I hurt myself today
To see if still feel...

(Hurt by Johnny Cash)

A metáfora de soltar as velas e navegar longe é o que há de mais delicado para ser dito quando não sabemos exatamente como dizer. Se o que me envolve exige prudência e sensatez, então que me resta senão confiar no caminho sem sortilégios? Sim, já entendi que não posso controlar as circunstâncias.

Permaneço à procura de formas diferentes de viver e sobreviver às minhas transgressões. Esta é a minha existência devassamente santa: revelo minhas misérias cotidianas e históricas, pessoais e impessoais; busco ser honesta, cinicamente honesta. Encontro o caminho desta relativa liberdade. Encontro a cura. Encontro a gratidão.

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[ 12 de Abril de 2010 | 2 feedbacks » | 783 visualizações]

O limite da arte é o silêncio. (Hermenegildo Bastos)

As coisas que me importam não são mensuráveis. Insisto em andar na contramão da estupidez deste lugar: onde a matéria vale mais que a alma; a roupa, mais que o corpo; a aparência, mais que o ser. As coisas de que preciso não estão à venda nos shoppings, nem nas grifes, nem nos trágicos espetáculos televisivos. Muito menos nas revistas de celebridades.

Esta minha relativa liberdade: de escolher o caminho da reflexão, de não me conformar. De não me iludir com o hedonismo. De não consumir - a qualquer custo - tudo que me é oferecido, que está disponível, online. Movimentos frenéticos, alucinantes, ritmos que tentam me impedir de sentir dor. Aquela dor que representa a profundidade da vida. Indispensável à lucidez.

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