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FIGURAS DE INFÂNCIA
por Andréia Abbes*
Caminhei lentamente como quem conta nos passos os segundos de uma vida inteira, como quem revela os segredos da alma ao chão, como quem enterra ali as palavras do coração.
Ouvi o som do vento, como quem tenta decifrar sua melodia, suas palavras, como quem busca o tom de uma nova canção. De repente, o vento se calou, como quem se envergonha de sua afinação diante da platéia ou como quem desvia de si a atenção.
Olhei para o céu procurando nos desenhos das nuvens as figuras de infância, como quem busca em antigas imagens a inspiração de novas pinturas.
Me lembrei dos montes de tão firmes raízes e tão longas vestes verdes, encontrei as palavras que procurava... sussurradas ao meu ouvido, colhidas entre aquelas que guardamos para sempre onde a alma se refugia para escrever seus versos e copiar suas memórias.
"De onde me virá o socorro?"
Reescrevi em meus olhos, para afugentar meus temores... "o meu socorro vem do Senhor".
O sorriso me abraçou, como quem toma em seus braços a fonte de inspiração da vida ou como a criança que corre ao encontro do pai. Envolvidos pelo sorriso, meus lábios confessaram... o meu socorro vem do Senhor e isso me é suficiente!
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*minha amiga de alguns anos, que tem na alma a literatura de Deus e que me faz sorrir mesmo quando não posso.
P.S.: escrito em 12 de setembro de 2005.