Minhas reflexões »

[ 24 de Julho de 2012 | 2 feedbacks » | 297 visualizações]

A função da oração não é influenciar Deus, mas especialmente mudar a natureza daquele que ora. (S. Kierkegaard, filósofo dinamarquês)

É do silêncio absoluto e profundo que se ouve o barulho da dor e da angústia. É a nossa perplexidade que se movimenta solitária no chão de nossa experiência. Ainda não compreendemos a suspensão temporária da vida. Será sempre difícil constatar os nossos ferimentos e observar as cicatrizes que nos deixaram. Sentir as coisas, sentir as pessoas, sentir a rocha, sentir a água... isso esboça que ainda respiramos, mesmo quando tudo fica mais devagar e sôfrego, quase agonizante. Há momentos nos quais gostaríamos de apenas fechar os olhos, deixar a nossa pele impermeável às decepções e à agonia... Há momentos nos quais desejaríamos nos tornar nada, absolutamente.

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Contos »

[ 7 de Julho de 2012 | Enviar feedback » | 170 visualizações]

There is so much hurt in this game of searching for a mate. And you realize suddenly that you forgot it was a game, and turn away in tears. (Sylvia Plath, escritora e poetisa americana)

Há um outro tipo de estrada que a espreita. O barulho de seus pensamentos a sufoca e a paralisa brutalmente. Não é possível habitar desta maneira! Mais do que em qualquer outro dia, ela sente que precisa ir. Houve uma lesão na alma, intensa, profunda. Acidental, mas ocorreu. Se ela não partir agora, será ainda mais amarfanhada. Aconteceu. "Ninguém decide sobre os passos que evitamos"... Viver assim, pensou, é doloroso, cruel, injusto. Existir assim, lamentou, é insuportável. Acabou, ela sabe disso. E agora é ela quem quer que seja dessa forma. O seu corpo, o seu espírito, a sua alma, os seus devaneios, as suas fantasias, tudo está desbaratado, destruído. Respira sofregamente, mas de cansaço, de agonia, de angústia, de dor. A pressa é pela morte, e não mais por ele, que partiu bruscamente, sem se despedir. Não precisa, não importa, é a vida. Cada um com os seus cortes, com as suas feridas, com o que ainda lhe resta de sangue.

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Especial »

[ 21 de Junho de 2012 | 1 Feedback » | 92 visualizações]

E a sensação nunca mais me deixou, de que meu corpo carrega em si todas as chagas do mundo. (Frida Kahlo, pintora mexicana)

Frame

Este corpo padece,  faz morrer, desfalecer. Arrasta-se até um pouco mais... sem esperança, nem consolo: dolo. Faz doer. Caminho, do verbo; caminho, substantivo. Linguagem. Bastaria? Vou no gerúndio, indo... Leves nunca estão meus pensamentos. Tudo pesa quando não sabemos o que se carrega na alma. Se for, que seja! Mas nada aqui é no infinitivo impessoal, já que sinto, desinência do eu. De mim, oblíquo. Falação.

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