CATHERINE AND PETER LEWIS

01/01/2008 - Categorias: Especial, Contos  

por Aline Menezes

CAPÍTULO I

Algumas pessoas são como as obras de Tchaycowski, muito barulho, pratos, metais e bumbos, mas é só na superfície. Você é como Chopin e Debussy, uma aparência melódica, mas no fundo uma tensão insuportável que nunca se disssipa no movimento, é quase um rasgar do espírito. (Peter Lewis diz para Catherine)

CAPÍTULO II

... e não falemos de angústia. Dessa dor que nos dilacera, que nos torna culpados, como se pudéssemos controlar o mundo e tudo que nele há. Somos humanos por excelência, porque temos o desejo que nos purifica a alma: queremos viver. Sabemos ser inconseqüentes e intransigentes. Sentimos saudades – eis nossa revolta contra o tempo, contra o espaço e contra o mundo. Discutimos nossas misérias cotidianas e históricas, pessoais e impessoais, buscamos ser honestos. Cinicamente honestos. (Catherine diz para Peter Lewis)

CAPÍTULO III

Compreendemos nossa condição fragmentária, imperfeita, implacavelmente imperfeita. E não nos mobilizamos por conta dessa imperfeição. Foi mais forte que nós. Mais intenso. Tenso. Desejos incontroláveis de transgredir. Não a transgressão que nos faz eternamente machucados, culpados, enganados. Mas aquela que nos deixa em paz, porque fomos capazes de dizer um para o outro o quanto somos especiais. E, curiosamente, não somos mais uma capela, mas uma verdadeira catedral. (Peter Lewis escreve para Catherine)

CAPÍTULO VI

O que há em nós é sagrado e profano. É puro e impuro. Parece vida, mas parece morte. Os dias nos consomem o espírito; roubam-nos o silêncio: a mudez; deixam-nos eufóricos, ansiosos, armados e desarmados. E também conspiram contra nós. É nisto que acreditamos. Mudamos o rumo de nossa história. Sentimo-nos seguros e inseguros. Livres e aprisionados. Um paradoxo sem fim. Mas somos a nossa própria e imensa vontade de viver. (Catherine escreve para Peter Lewis)

THE END

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Nota: Esta imitação de conto é apenas minha forma de falar das lembranças que ficam em minha memória. Recordações daqueles anjos que me motivaram e me inspiraram para rascunhar certas linhas. E é assim que me despeço de 2007: com pequenos e intensos diálogos de quem também já soube o que é amar!

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O BEIJO ERÓTICO

02/12/2007 - Categorias: Citações, Contos  

O beijo erótico, que envolve os lábios e a língua, é uma parte do jogo amoroso. Quando o casal se beija com a língua (no chamado "beijo da alma" ou "beijo francês"), a língua reflete e liga diretamente seus corações, enquanto os lábios dão e recebem afeto mútuo. Além disso, os meridianos Vaso Governador e Vaso Concepção de cada parceiro estão ligados aos lábios e à língua, fazendo, como já dissemos, um circuito completo de fluxo de energia quando o casal se beija. (p. 99)

E ouço os gritos silenciosos nas ruas por onde passei. Acompanhada daquele encantamento que só os apaixonados sabem demonstrar. Impulsionada pela certeza de que este é o momento dos corpos entrelaçados. Das posições proibidas. Da arte secreta da Câmara de Jade. De posturas místicas. Ele deitado de costas. Move-se. Ela.

Corpo. Carne. Volúpia. Dos olhos, nascem belezas. De encontros, nascem os lábios. Os ruídos, os pequenos suspiros. O relaxar dos músculos. Batimentos cardíacos. Delírios saudáveis dos instantes. Instintos maiores. Em carícias e beijos. Suaves olhares. Cheiros. Sabores. Perfeita harmonia. Compatíveis movimentos...

... para cima e para baixo.

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CHIA, Mantak & WEI, W. U. Reflexologia sexual: o tao do amor e do sexo. São Paulo: Cultrix, 2002.

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BREVE MANUSCRITO DE CATHERINE

27/09/2007 - Categorias: Poema/Poesia, Contos  

Do meu lado esquerdo, há um pai segurando o filho no colo e um livro infantil nas mãos. O pai lê para o filho a historinha de Max, o carro falante, e das personagens Carolina e Beatriz. O filho, curioso, a cada frase do pai, faz-lhe uma pergunta. Eles ficam assim por algum tempo.

Eu, sentada no chão, escrevendo estas linhas, observo as pessoas em minha volta: algumas estão com os seus notebooks; outras, com as suas inquietações. Alguns lêem revistas, fazem anotações, andam de um lado para o outro. Ou, simplesmente, aguardam a hora do embarque.

O vôo está atrasado. Poucos minutos atrasados. Neste momento, tento não pensar em minhas frustrações, luto contra as lembranças, invento que estou melhor. Nada adianta. Quanto mais não quero pensar, mais penso.

Duas mulheres acabam de se conhecer no saguão do aeroporto. Elas nada sabem uma da outra. Mesmo assim, acreditam ser grandes amigas. Do outro lado, uma mulher folheia a Caras. Um senhor lê um livro de aproximadamente 150 páginas. Tentei ver o título da obra, mas não foi possível... Ah, nunca saberei o que ele estava lendo!

E eu? Eu estou do lado de cá, consciente. Consciente de meu fracasso. Às vezes, nossa vida é como um saguão de aeroporto: todos têm a expectativa de vôo, mas nem todos embarcam na hora certa...

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IMENSIDÃO

Vôo
só. Sozinha vou,
num vôo só.
Vôo
só. Sozinha vou,
num vôo só.
Céu que não é seu.
O seu é o céu.
Na imensidão de
sentir-se sol.

(Por Aline Menezes)

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