COISAS BELAS E SUJAS

25/07/2008 - Categorias: Cinema, Citações  

- Personagem (comprador): Como é que nunca vi vocês antes?
- Okwe (Chiwetel Ejiofor): Porque somos gente que vocês não vêem. Nós dirigimos seus táxis, limpamos seus quartos and suck your cocks.
(Diálogo do filme Coisas Belas e Sujas, dirigido por Stephen Frears, com a atriz francesa Audrey Tautou)

Antropologia e sociologia são algumas das áreas do conhecimento que mais me atraem. Analisar a influência do meio social sobre o homem, entender de que maneira as relações humanas ocorrem, compreender como se formam os preconceitos e o porquê da união de alguns grupos sociais ou até mesmo a desintegração desses grupos.

Em Coisas Belas e Sujas (2002), cujo título original é Dirty Pretty Things, a atuação de Chiwetel Ejiofor (no papel do imigrante ilegal nigeriano Okwe) é tão emocionante quanto o próprio desenrolar da trama. Numa mistura de humor e drama, o filme apresenta a difícil vida de imigrantes ilegais em Londres e aborda o tráfico ilegal de órgãos na capital inglesa.

Particularmente, duas questões específicas me emocionaram: o sentimento de honestidade (paradoxo) e espírito lúcido em Okwe e a condição da mulher diante de homens estúpidos. Interpretada pela atriz Audrey Tautou, Senay é uma jovem turca de 22 anos. Num momento em que se encontra sem saída, ela se submete aos caprichos sexuais de dois homens bizarros.

O filme de Stephen Frears é assim: bonito e triste, com coisas belas e definitivamente sujas.

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Para ter mais informações sobre o filme, clique aqui.

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SPEED RACER

01/06/2008 - Categorias: Sociedade, Cinema, Citações  

Se quiser descobrir a verdade sobre alguém, descubra o sonho dela e, depois, trabalhe de trás pra frente. Todos nós perseguimos alguma coisa. Mais dinheiro, mais amor, bem, não sei, talvez mais uma chance. Mas o que realmente queremos é mais vida. Sim, senhor, mais um pouco desta bela vida. Mas você precisa ter cuidado, pois pode ser que queira ainda mais e, no final, acabe com menos. (introdução do filme A última aposta)

Diz-se que uma das finalidades da engenharia de trânsito é pensar/apresentar soluções técnicas adequadas para que pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas em geral tenham condições seguras no trânsito. Até hoje, não compreendo por que razão somos informados sobre a localização dos "pardais" (radares eletrônicos instalados em determinados pontos da cidade).

O sujeito vem em alta velocidade numa via cujo limite é 60 Km/h, ele avista o 'pardal' (na verdade, ele já sabe onde estão os pardais) e aí reduz a velocidade... Reduz porque não quer ser multado, e não porque está consciente de que o impacto causado por um veículo que está a 60 km/h não será tão "horrível" quanto o impacto por um de 80 km/h, por exemplo. Penso que esse cálculo é feito pela engenharia de trânsito! E não deve ser por acaso que algumas vias são de 50, 60, 70 e 80 km/h.

Sem querer bancar a politicamente correta (e olha que não suporto o politicamente correto), fiquei irritadíssima num determinado dia: retornando de uma viagem de trabalho, peguei um táxi. O taxista incorporou o Speed Racer, dirigindo em alta velocidade e fazendo manobras radicais. Insinuei pra ele meu desejo de que dirigisse de acordo com o limite da via, ao que ele respondeu: "não se preocupe, eu sei exatamente onde estão os pardais". Hã??????? Mas eu não estava preocupada com o fato de ele pagar multas por excesso de velocidade. Minha preocupação era outra, muito mais importante: correr risco de morte não me excita, oras... Desesperada, eu?

Para completar, o Speed Taxista me disse que dirige há 20 anos... Em outras palavras, ele quis dizer que não está sujeito a acidentes, já que é tão experiente. Okey! Não quis dar continuidade à conversa. Afinal, motoristas insistem na imprudência, na irresponsabilidade e na idiotice de fazer de seu carro uma aeronave. Em silêncio, fiquei torcendo pra logo chegar em casa. Minha sorte foi que - até a minha casa - tinham vários pardais. E só por isso Speed não ultrapassou os 100 km/h.

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P.S.: Infelizmente, já cometi infrações no trânsito. E isso não é nem um pouco divertido!

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SAD AND BEAUTIFUL

19/05/2008 - Categorias: Sociedade, Cinema, Músicas, Citações  

Sometimes I
Get so sad
Sometimes you
Just make me mad
It's a sad and beautiful world...

(Sung by Paul Sandow)

O psicólogo existencialista Rollo May defende que "são as pessoas de personalidade fraca as que se sentem dominadas pela força da tradição, não podem suportar sua presença e, portanto, capitulam diante dela, desligam-se, ou rebelam-se". Pelo que pude apreender de suas considerações, a proposta é nos fazer pensar que - longe de provocar o enrijecimento dos sentidos e das idéias - é possível mergulharmos na tradição e, ainda assim, conservarmos nossa própria singularidade.

Ele completa: "[...] quanto mais profundamente confrontarmos e sentirmos a riqueza acumulada da tradição histórica, tanto mais conheceremos e seremos nós mesmos. A luta, portanto, não é entre liberdade individual e a tradição como tal. O importante é saber de que modo a tradição é usada". Isto é, seria possível nos relacionarmos com a tradição, sem que para isso nossa liberdade individual seja sacrificada?

Numa tentativa de se rebelar contra a tradição, muita gente cruza caminhos considerados "alternativos", anulando experiências anteriores, desconsiderando a sabedoria dos antepassados e acreditando que esse comportamento os transforma em seres intelectuais, independentes e críticos da nova sociedade... Como se houvesse algo de puramente novo debaixo dos céus! Esse tipo de rebeldia, como escreve Rollo May, é muitas vezes confundido com a própria liberdade, "tornando-se um falso porto de refúgio na tempestade por dar ao rebelde um ilusório senso de independência".

Autor de "O homem à procura de si mesmo", Rollo May acrescenta ainda mais: "[...] a essência de um clássico é emergir de tais profundezas da experiência humana que, como as obras de Isaías, a tragédia de Édipo, ou O Caminho de Lao-Tzu, seja capaz de comunicar-se conosco, que vivemos séculos mais tarde, em culturas inteiramente diversas, falando-nos com a voz de nossa experiência, ajudando-nos a compreender melhor a nós mesmos e a enriquecer-nos, despertando ecos que talvez não soubéssemos existir".

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MAY, Rollo. O homem à procura de si mesmo. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1982, p. 129, 172 e 173.

Paul Sandow é o personagem interpretado por Paul Dano, no filme "The King" (2005), com Gael García Bernal, William Hurt e Pell James no elenco.

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