BREAKDOWN (BY JACK JOHNSON)
"Time is just a melody... Wanna break on down... But i can't stop now."
Preservar-se: defender-se, proteger-se, resguardar-se. Livrar-se de algum mal; manter-se livre de corrupção, perigo ou dano; conservar-se.
"Um desenho humorístico publicado há alguns anos mostrava um homem e uma mulher fazendo amor na posição dos cães. Enquanto se desenrola o ato sexual, o homem pergunta a sua parceira: "Que tal darmos um passeio no domingo que vem?" "Ah, não, nós não nos amamos o bastante para isso", responde a mulher.
Esse diálogo ilustra um certo desvirtuamento da vida amorosa que se seguiu à revolução sexual dos anos 1960 e 1970. A expressão do sentimento, a admiração pelo ser amado, a sublimação da relação com o outro e o colóquio amoroso foram freqüentemente ofuscados pela busca de sensações. Para muitos indivíduos, o ritual do galanteio e da conversa sedutora deu lugar a uma libertinagem desprovida de poesia, que culmina no coquetel sadomasoquista/droga/troca de parceiros. O culto do orgasmo substituiu o mapa do País da Ternura*." (LACROIX, 2006, pp. 153 e 154)
A vida está além dos deslumbramentos. Reconhecer-se enquanto ser implica produzir no outro a possibilidade de ser indivíduo. Nesta terra de gigantes, olhar o outro deixou de ser um esforço possível. Mas há aqueles que sobrevivem ao abandono. Não porque são os mais fortes, mas porque aprenderam que...
... o tempo é apenas uma melodia.
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* Em Clélie, romance escrito em 1654-1660 em colaboração com Georges de Scudéry, sua irmã, Madeleine Scudéry, desenhou a célebre "carte du Tendre", mapeando o país ou o reino da ternura (le Royaume du Tendre).
LACROIX, Michel. O culto da emoção. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 2006.

5 comentários
Eu poderia dizer várias coisas sobre esse post, mas vou dizer apenas que acho que o mundo, e consequentemente as pessoas, não estão piores, só está tudo ridiculamente diferente. Porque quanto mais eu leio sobre a história mais eu vejo que desde as épocas mais antigas a ternura é confundida com outras coisas e que poucas pessoas sabem que o Amor de verdade não dói.
Beijos!
Muitas coisas mudaram, Rebeca. Muitas coisas... A história se repete... como sabemos!!!! Fico feliz que esteja de volta... beijos, Aline
Grande beijo
Nádia
Sim, Nádia, você tem razão. Sem dor, não haverá crescimento. E é preciso, sim, olharmos para os lados. beijos, Aline
Grata pela visita. bjs, Aline
Entendo que na vida há dor, com certeza que há, mas quando eu falo que o Amor não dói quis dizer algo diferente...
Você observou bem que vamos nos decepcionar e que vamos decepcionar outras pessoas. Mas quando dói, não é o Amor que está doendo, o que está doendo é a nossa decepção. O que estou querendo dizer é que dor é um sentimento, e Amor é outro. Eles podem coexistir (e muitas vezes coexistem), mas um não é dependente do outro.
Por exemplo, quando um bebê chora ele está decepcionado por algum motivo (seja fome, sono, etc.). Mas quando a mãe sai depressa para atendê-lo com todo o Amor e dedicação ela não espera que o bebê tenha nenhum gesto consciente de gratidão. Houve a dor (decepção por parte do bebê) e o Amor (por parte da mãe). E cada um desses sentimentos se manifestaram independente da existência do outro. Ou seja, o que dói é a nossa expectativa frustrada, não o Amor. Isso que quis dizer. :)
Beijinhos pra você e pra Aline.
Perspectivas... perspectivas diferentes... beijos, Aline
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