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A MAIS ANTIGA

16 de maio de 2007 311 visualizações 9 feedbacks »

A casa tinha dois quartos. Era pequena. Sem luxo algum. A propósito, a simplicidade da casa refletia na criança a satisfação de ser criança. Não precisava se preocupar com móveis caros. Não precisava se preocupar em não quebrar objetos caros. Tudo era muito simples.

Nove anos. Era essa a idade da criança sorridente. Os vizinhos ainda se lembravam dela caminhando descalça pelas calçadas da cidade. Cabelos lisos. Castanhos. Pele morena. E divertida, embora tímida em algumas situações. Seu nome? Ah, seu nome...

O seu Jânio e a dona Zuleide, o casal mais velho da vizinhança, diziam que ela era esperta, que gostava de sentar no sofá e conversar. Falar sobre coisas que ela mesma não entendia. Era a presença do casal de idosos que inspirava curiosidade naquela menina.

- Seu Jânio, o senhor gosta do jornal? Ela perguntava.
- Sim, é bom pra gente ficar sabendo das coisas. Respondia o senhor.

Uma das coisas que mais chamavam a atenção da criança na casa daquele casal eram as bonecas tão bem guardadas por dona Zuleide. Brinquedos que estavam lá há anos. Dona Zuleide ainda tinha sua primeira boneca, que ganhara quando ela ainda era menina. Curiosa, a criança sempre pedia pra vê-las.

- Dona Zuleide, a senhora pode me mostrar aquela ali? Ela apontava em direção à mais antiga.
- Claro, meu anjo.
- Segura um pouquinho! A criança adorava isso.

E eram assim todas as outras noites. Ela tomava banho e dizia:

- Mãe, vou ver seu Jânio e dona Zuleide.

O tempo passou.

A cidade mudou.

Os vizinhos eram outros.

Seu Jânio e dona Zuleide... ela sabia pouco sobre eles agora.

E, ainda hoje, a criança, já mulher, sente saudades daquelas noites, em que a menina simplesmente queria ver o que ela não tinha.

Parte de sua história está lá, naquela cidade, naquela cidade que mudou.

Saudades dos vizinhos que não estão mais lá!

_________
* Este conto foi publicado pela primeira vez em 26 de dezembro de 2004, no endereço http://waltercruz.com/log/a_mais_antiga.

9 comentários

Comentário de: Walter Cruz [Visitante] Email
Walter CruzUma linda história. Transmite uma sensação de nostalgia, uma melancolia agradável. Uma sensação de que mesmo essa história não sendo a minha, e também a minha ao ver refletida nela minhas próprias lembranças.

Ando assim mesmo: nostálgica! Ah, que saudades q tenho da minha infância querida, que os anos não trazem mais... bjs, Aline
16/05/2007 @ 11:43
Comentário de: Helen [Visitante] Email
Helen"A simplicidade da casa refletia na criança a satisfação de ser criança. Não precisava se preocupar com móveis caros. Não precisava se preocupar em não quebrar objetos caros. Tudo era muito simples". Foi isso que eu quis passar com meu saudosismo esses dias. Não se precisava de muita coisa pra ser feliz. A satisfação vinha justamente desse modo simples de poder viver. bjs

É verdade, Helen; é verdade. bjs, Aline
17/05/2007 @ 08:35
Comentário de: José de Morais [Visitante] Email
José de MoraisBonito. Nostálgico. Sensível. Gostei.

Obrigada pela visita. beijos, Aline
17/05/2007 @ 09:59
Comentário de: Rebeca [Visitante] Email
Rebeca"A cidade mudou" e a menina agora é mulher. Tudo muda no mundo. :)
Beijos!

Sim, numa certa perspectiva, tudo muda no mundo. beijos, Aline
18/05/2007 @ 11:05
Comentário de: michel [Visitante] Email
michelOi, Aline... lindo texto! somos iguais à mulher do texto; nos lembramos das coisas de quando éramos crianças. Muito bom que a personagem tenha saudades, muitas pessoas fingem q não têm passado, ela não preferiu encarar a realidade de frente, e ainda sente orgulho da casa que era simples, mas revela uma grande riqueza, pois na casa se pode ser livre já que não se tem o medo de quebrar nada, e pelo que parece essa liberdade fez bem a mulher. Bjos

Pois é, Michel... Talvez haja mesmo algo de universal neste conto. Aliás, há mesmo. Ele tem muitos símbolos... Para mim, especialmente, não é apenas um conto... Tô adorando suas visitas. beijos, Aline
18/05/2007 @ 19:38
Comentário de: Ester [Visitante] Email
EsterAdorei este conto... é justamente o tipo de história q gosto... possui uma poesia simples como a casa... rs... BJS!!!

Gosto de coisas simples! bjs, Aline
21/05/2007 @ 20:43
Comentário de: Walter Cruz [Visitante] Email
Walter CruzTenha um bom dia :)

(E publique alguma coisa nova logo... :) )

Logo, logo, publicarei! bjs,
23/05/2007 @ 09:17
Comentário de: kellem fernanda silveira brasil [Visitante]
kellem fernanda silveira brasilALINE MUITO LEGAL ESTE CONTO. ENTERESSANTE ´´A MENINA CRECEU E AINDA LEMBRA DAS NOITES EM QUE IA VISITAR SEUS VIZINHOS´´AMEI ESTE CONTO MUITTTTTTTTTTTISSSSSSSSSSSSSSSMO SUCESSO
27/04/2009 @ 15:16
Comentário de: kellem fernanda silveira brasil [Visitante]
kellem fernanda silveira brasilALINE MUITO LEGAL ESTE CONTO. ENTERESSANTE ´´A MENINA CRECEU E AINDA LEMBRA DAS NOITES EM QUE IA VISITAR SEUS VIZINHOS´´AMEI ESTE CONTO BJS!!!
27/04/2009 @ 15:18

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