A MAIS ANTIGA
A casa tinha dois quartos. Era pequena. Sem luxo algum. A propósito, a simplicidade da casa refletia na criança a satisfação de ser criança. Não precisava se preocupar com móveis caros. Não precisava se preocupar em não quebrar objetos caros. Tudo era muito simples.
Nove anos. Era essa a idade da criança sorridente. Os vizinhos ainda se lembravam dela caminhando descalça pelas calçadas da cidade. Cabelos lisos. Castanhos. Pele morena. E divertida, embora tímida em algumas situações. Seu nome? Ah, seu nome...
O seu Jânio e a dona Zuleide, o casal mais velho da vizinhança, diziam que ela era esperta, que gostava de sentar no sofá e conversar. Falar sobre coisas que ela mesma não entendia. Era a presença do casal de idosos que inspirava curiosidade naquela menina.
- Seu Jânio, o senhor gosta do jornal? Ela perguntava.
- Sim, é bom pra gente ficar sabendo das coisas. Respondia o senhor.
Uma das coisas que mais chamavam a atenção da criança na casa daquele casal eram as bonecas tão bem guardadas por dona Zuleide. Brinquedos que estavam lá há anos. Dona Zuleide ainda tinha sua primeira boneca, que ganhara quando ela ainda era menina. Curiosa, a criança sempre pedia pra vê-las.
- Dona Zuleide, a senhora pode me mostrar aquela ali? Ela apontava em direção à mais antiga.
- Claro, meu anjo.
- Segura um pouquinho! A criança adorava isso.
E eram assim todas as outras noites. Ela tomava banho e dizia:
- Mãe, vou ver seu Jânio e dona Zuleide.
O tempo passou.
A cidade mudou.
Os vizinhos eram outros.
Seu Jânio e dona Zuleide... ela sabia pouco sobre eles agora.
E, ainda hoje, a criança, já mulher, sente saudades daquelas noites, em que a menina simplesmente queria ver o que ela não tinha.
Parte de sua história está lá, naquela cidade, naquela cidade que mudou.
Saudades dos vizinhos que não estão mais lá!
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* Este conto foi publicado pela primeira vez em 26 de dezembro de 2004, no endereço http://waltercruz.com/log/a_mais_antiga.

9 comentários
Ando assim mesmo: nostálgica! Ah, que saudades q tenho da minha infância querida, que os anos não trazem mais... bjs, Aline
É verdade, Helen; é verdade. bjs, Aline
Obrigada pela visita. beijos, Aline
Beijos!
Sim, numa certa perspectiva, tudo muda no mundo. beijos, Aline
Pois é, Michel... Talvez haja mesmo algo de universal neste conto. Aliás, há mesmo. Ele tem muitos símbolos... Para mim, especialmente, não é apenas um conto... Tô adorando suas visitas. beijos, Aline
Gosto de coisas simples! bjs, Aline
(E publique alguma coisa nova logo... :) )
Logo, logo, publicarei! bjs,
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