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			<title>seiva</title>
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			<pubDate>Wed, 15 May 2013 20:28:00 +0000</pubDate>			<dc:creator>Aline Menezes</dc:creator>
			<category domain="alt">Sociedade</category>
<category domain="main">Minhas reflexões</category>			<guid isPermaLink="false">1362@http://alinemenezes.com/</guid>
						<description>&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span&gt;A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende.&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;(Arthur Schopenhauer)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span&gt;A árvore que não apressa a sua seiva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;por &lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Aline Menezes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Além de viver, o que mais me interessa é falar, ler e escrever sobre a vida. Observo diariamente pessoas vivendo como se fossem imortais, organizando os seus mundos exteriores sem se darem conta de que a existência hu&lt;span class=&quot;text_exposed_show&quot;&gt;mana carece de um pouco de solidão: de momentos nos quais você se recolhe e pensa sobre o essencial da vida, o que de fato importa em relação a todos nós, aos amores, às amizades, ao dia a dia... Mesmo uma tosse alérgica cria esse efeito em mim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;text_exposed_show&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;Não é por acaso que, diante da iminência da morte, pessoas mudam o modo de encarar a vida e até de apreciá-la, compreendê-la, interpretá-la e dela fazer parte; diante da iminência da morte, muitos reconhecem que perderam tempo com preocupações irrelevantes ou com questionamentos sem sentido e nutriram sentimentos nada nobres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não nos tornarmos insensíveis diante da brutalidade e da violência cotidianas? Como nos convencermos de que, apesar de tudo, devemos seguir adiante, mesmo quando não fazemos a menor ideia do caminho que devemos percorrer? Como compreendermos que a experiência humana não se explica por um único ponto de vista ou por um único tipo de conhecimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, belo mesmo é a inteligência aliada à capacidade de sentir as pessoas, sentir a existência humana, perceber a dor alheia e não aceitar passivamente as injustiças, os destemperos do mundo, as desigualdades, o desrespeito. Sem sensibilidade, sem essa capacidade de reconhecer as fragilidades da própria razão, a inteligência humana pode ser um desastre, um acúmulo de lógica primorosa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... e nada mais.&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://alinemenezes.com/seiva&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p><strong><em><span>A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende.</span> </em></strong>(Arthur Schopenhauer)</p>
</blockquote>
<div>
<p><strong><span>A árvore que não apressa a sua seiva</span><br /></strong><em>por </em><strong>Aline Menezes<br /><br /></strong>Além de viver, o que mais me interessa é falar, ler e escrever sobre a vida. Observo diariamente pessoas vivendo como se fossem imortais, organizando os seus mundos exteriores sem se darem conta de que a existência hu<span class="text_exposed_show">mana carece de um pouco de solidão: de momentos nos quais você se recolhe e pensa sobre o essencial da vida, o que de fato importa em relação a todos nós, aos amores, às amizades, ao dia a dia... Mesmo uma tosse alérgica cria esse efeito em mim.</span></p>
<p><span class="text_exposed_show"></span></p></div>Não é por acaso que, diante da iminência da morte, pessoas mudam o modo de encarar a vida e até de apreciá-la, compreendê-la, interpretá-la e dela fazer parte; diante da iminência da morte, muitos reconhecem que perderam tempo com preocupações irrelevantes ou com questionamentos sem sentido e nutriram sentimentos nada nobres. <br /><br />Como não nos tornarmos insensíveis diante da brutalidade e da violência cotidianas? Como nos convencermos de que, apesar de tudo, devemos seguir adiante, mesmo quando não fazemos a menor ideia do caminho que devemos percorrer? Como compreendermos que a experiência humana não se explica por um único ponto de vista ou por um único tipo de conhecimento?<br /><br />Para mim, belo mesmo é a inteligência aliada à capacidade de sentir as pessoas, sentir a existência humana, perceber a dor alheia e não aceitar passivamente as injustiças, os destemperos do mundo, as desigualdades, o desrespeito. Sem sensibilidade, sem essa capacidade de reconhecer as fragilidades da própria razão, a inteligência humana pode ser um desastre, um acúmulo de lógica primorosa...<br /><br />... e nada mais.<br />
<div class="item_footer"><p><small><a href="http://alinemenezes.com/seiva">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
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			<title>truth</title>
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			<pubDate>Mon, 11 Feb 2013 16:20:00 +0000</pubDate>			<dc:creator>Aline Menezes</dc:creator>
			<category domain="main">Cristianismo</category>			<guid isPermaLink="false">1361@http://alinemenezes.com/</guid>
						<description>&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span&gt;Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de loucos.&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;(Gilbert K. Chesterton, escritor inglês)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;Verdade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em style=&quot;font-size: 13px; line-height: 19px;&quot;&gt;por &lt;/em&gt;&lt;strong style=&quot;font-size: 13px; line-height: 19px;&quot;&gt;Aline Menezes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 13px; line-height: 19px;&quot;&gt;Na infância, tive a curiosidade de ler o Novo Testamento. Sozinha, numa cadeira de balanço improvisada na lojinha de minha mãe, comecei a ler de Mateus a Apocalipse. Evidentemente, eu estava diante de um grande desa&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;text_exposed_show&quot; style=&quot;font-size: 13px; line-height: 19px;&quot;&gt;fio: o de, tão cedo, querer compreender o que muitos adultos reproduziam de modos tão diversos, muitos dos quais equivocados, distorcidos e violentamente deturpados... Um versículo bem popular sempre me paralisou:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;text_exposed_show&quot;&gt;&quot;E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.&quot; (João 8:32)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;Não sei, mas acho que a união dos termos conhecimento, verdade e liberdade me produzia algum efeito, alguma inquietação, alguma vontade de saber mais sobre aquele pequeno livro que eu recebera dos gideões missionários na escola e o qual eu adorava folhear e ler... &quot;E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará&quot;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que só há um tipo de verdade que nos faz livres... Penso que, longe dessa verdade, qualquer liberdade do homem é engano e escravidão disfarçada... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso também que a verdade a que me refiro e sobre a qual não tenho grandes explicações é aquela que me livra das religiões e do espírito religioso e me aproxima da possibilidade de errar para me tornar mais segura, mais serena diante da brutalidade do mundo (mundo aqui não tem a conotação dada pelas igrejas, mas significa toda a extensão da vida), menos intolerante e mais aberta à diversidade da vida... e que me coloca numa presença invisível, porém segura, sem riscos, porque os riscos que se tem são naturalmente bons para a existência, para o crescimento da alma... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que busco no meu caminho particular esta verdade... que se instala profundamente no ser. E que me liberta todos os dias...&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://alinemenezes.com/truth&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p><strong><em><span>Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de loucos.</span> </em></strong>(Gilbert K. Chesterton, escritor inglês)</p>
</blockquote>
<div>
<p><strong><span style="font-size: medium;">Verdade</span><br /></strong><em style="font-size: 13px; line-height: 19px;">por </em><strong style="font-size: 13px; line-height: 19px;">Aline Menezes<br /><br /></strong><span style="font-size: 13px; line-height: 19px;">Na infância, tive a curiosidade de ler o Novo Testamento. Sozinha, numa cadeira de balanço improvisada na lojinha de minha mãe, comecei a ler de Mateus a Apocalipse. Evidentemente, eu estava diante de um grande desa</span><span class="text_exposed_show" style="font-size: 13px; line-height: 19px;">fio: o de, tão cedo, querer compreender o que muitos adultos reproduziam de modos tão diversos, muitos dos quais equivocados, distorcidos e violentamente deturpados... Um versículo bem popular sempre me paralisou:</span></p>
<p><span class="text_exposed_show">"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (João 8:32)<br /></span></p></div>Não sei, mas acho que a união dos termos conhecimento, verdade e liberdade me produzia algum efeito, alguma inquietação, alguma vontade de saber mais sobre aquele pequeno livro que eu recebera dos gideões missionários na escola e o qual eu adorava folhear e ler... "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"...<br /><br />Penso que só há um tipo de verdade que nos faz livres... Penso que, longe dessa verdade, qualquer liberdade do homem é engano e escravidão disfarçada... <br /><br />Penso também que a verdade a que me refiro e sobre a qual não tenho grandes explicações é aquela que me livra das religiões e do espírito religioso e me aproxima da possibilidade de errar para me tornar mais segura, mais serena diante da brutalidade do mundo (mundo aqui não tem a conotação dada pelas igrejas, mas significa toda a extensão da vida), menos intolerante e mais aberta à diversidade da vida... e que me coloca numa presença invisível, porém segura, sem riscos, porque os riscos que se tem são naturalmente bons para a existência, para o crescimento da alma... <br /><br />Penso que busco no meu caminho particular esta verdade... que se instala profundamente no ser. E que me liberta todos os dias...<br />
<div class="item_footer"><p><small><a href="http://alinemenezes.com/truth">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
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				<item>
			<title>shortage</title>
			<link>http://alinemenezes.com/shortage</link>
			<pubDate>Thu, 13 Dec 2012 18:05:00 +0000</pubDate>			<dc:creator>Aline Menezes</dc:creator>
			<category domain="alt">Sociedade</category>
<category domain="main">Minhas reflexões</category>			<guid isPermaLink="false">1360@http://alinemenezes.com/</guid>
						<description>&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O mundo pode ser um palco, mas o elenco é um horror. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;(Oscar Wilde)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Quem dera fosse ao menos a &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;bunda redunda de Drummond&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;por &lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Aline Menezes&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na TV, tenho acesso apenas a canais gratuitos, o que significa dizer que, aqui em casa especificamente, restam-me cinco opções clássicas: SBT, Record, Globo, Rede TV! e Band. Assim que liguei a televisão ontem à noite, fui surpreendida com a imagem de uma bunda gigante num movimento um tanto quanto eroticamente [in]expressivo, balançando ao som de Mc Pocahontas (sim, o calendário maia não deveria falhar!).&lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;text_exposed_show&quot;&gt;&lt;p&gt;Sinto que envelheci de modo precoce, pois tudo me parece patético já há algum tempo... É insuportável saber que o contingente de pessoas e experiências interessantes no mundo é bastante reduzido, a julgar pela TV aberta, pelo Facebook e pelo Brasil. Não por acaso, um espírita que me encontrou na Asa Norte olhou para mim e disse: &quot;você tem um espírito velho&quot;. Segundo ele, o meu espírito já reencarnou muitas vezes (deve ser um espírito demasiadamente teimoso). E ele completou: &quot;aposto que você tem mais interesse por pessoas mais velhas que você&quot;...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;A propósito, sei que a maioria das pessoas tem medo de envelhecer, pois todos aprenderam que a velhice está associada unicamente à osteoporose, à diminuição da nossa capacidade de enxergar de perto e da nossa força muscular... à flacidez de nossa pele e à perda gradual da memória, por exemplo. Eu não tenho. Na verdade, nunca tive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, nunca tive medo de envelhecer. Alguns podem até argumentar que não tenho medo porque ainda não vi os efeitos da velhice tomarem conta do meu corpo de modo bem visível... talvez porque os meus seios ainda não estejam alcançando o umbigo, talvez porque as rugas do rosto não estejam aparecendo ainda, talvez porque eu não esteja com cabelos brancos enfeitando o couro cabeludo... talvez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, o que espero mesmo, independentemente do tempo, é preservar minha paixão pela vida, apesar da mediocridade do mundo; pelos sentimentos das pessoas, apesar do mau-caratismo; pelo amor, apesar das decepções amorosas; pela alegria, apesar das dores; pelas relações afetivas, apesar da solidão; pela família, apesar dos despeitados e ressentidos; por tudo que é belo, apesar das almas deformadas; pelo outro, apesar de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero mesmo que numa outra ocasião eu possa escrever motivada por um grande artista do momento, por uma música magnífica, por um livro que integrará a tradição literária mundial, por um filme brilhante... que numa outra ocasião eu não precise da abundância televisiva e gratuita de programações estúpidas para falar sobre a escassez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... para falar sobre a escassez da vida.&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://alinemenezes.com/shortage&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p><strong><em>O mundo pode ser um palco, mas o elenco é um horror. </em></strong>(Oscar Wilde)</p>
</blockquote>
<div>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Quem dera fosse ao menos a </strong><strong>bunda redunda de Drummond</strong></span></p>
<p><em>por </em><strong>Aline Menezes</strong></p>
<p>Na TV, tenho acesso apenas a canais gratuitos, o que significa dizer que, aqui em casa especificamente, restam-me cinco opções clássicas: SBT, Record, Globo, Rede TV! e Band. Assim que liguei a televisão ontem à noite, fui surpreendida com a imagem de uma bunda gigante num movimento um tanto quanto eroticamente [in]expressivo, balançando ao som de Mc Pocahontas (sim, o calendário maia não deveria falhar!).</p>
<div class="text_exposed_show"><p>Sinto que envelheci de modo precoce, pois tudo me parece patético já há algum tempo... É insuportável saber que o contingente de pessoas e experiências interessantes no mundo é bastante reduzido, a julgar pela TV aberta, pelo Facebook e pelo Brasil. Não por acaso, um espírita que me encontrou na Asa Norte olhou para mim e disse: "você tem um espírito velho". Segundo ele, o meu espírito já reencarnou muitas vezes (deve ser um espírito demasiadamente teimoso). E ele completou: "aposto que você tem mais interesse por pessoas mais velhas que você"...<br /></p></div></div>A propósito, sei que a maioria das pessoas tem medo de envelhecer, pois todos aprenderam que a velhice está associada unicamente à osteoporose, à diminuição da nossa capacidade de enxergar de perto e da nossa força muscular... à flacidez de nossa pele e à perda gradual da memória, por exemplo. Eu não tenho. Na verdade, nunca tive.<br /><br />É, nunca tive medo de envelhecer. Alguns podem até argumentar que não tenho medo porque ainda não vi os efeitos da velhice tomarem conta do meu corpo de modo bem visível... talvez porque os meus seios ainda não estejam alcançando o umbigo, talvez porque as rugas do rosto não estejam aparecendo ainda, talvez porque eu não esteja com cabelos brancos enfeitando o couro cabeludo... talvez. <br /><br />Porém, o que espero mesmo, independentemente do tempo, é preservar minha paixão pela vida, apesar da mediocridade do mundo; pelos sentimentos das pessoas, apesar do mau-caratismo; pelo amor, apesar das decepções amorosas; pela alegria, apesar das dores; pelas relações afetivas, apesar da solidão; pela família, apesar dos despeitados e ressentidos; por tudo que é belo, apesar das almas deformadas; pelo outro, apesar de mim.<br /><br />Espero mesmo que numa outra ocasião eu possa escrever motivada por um grande artista do momento, por uma música magnífica, por um livro que integrará a tradição literária mundial, por um filme brilhante... que numa outra ocasião eu não precise da abundância televisiva e gratuita de programações estúpidas para falar sobre a escassez...<br /><br />... para falar sobre a escassez da vida.<br />
<div class="item_footer"><p><small><a href="http://alinemenezes.com/shortage">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
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		</item>
				<item>
			<title>Naked</title>
			<link>http://alinemenezes.com/novo</link>
			<pubDate>Tue, 11 Dec 2012 20:44:00 +0000</pubDate>			<dc:creator>Aline Menezes</dc:creator>
			<category domain="main">Minhas reflexões</category>			<guid isPermaLink="false">1358@http://alinemenezes.com/</guid>
						<description>&lt;blockquote&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;strong&gt;[...]&lt;em&gt; Em mim, também, foram destruídas muitas coisas que julgava iriam durar para sempre, e novas coisas se edificaram, dando nascimento a penas e alegrias, que eu não poderia prever então, da mesma forma que as antigas se me tornaram difíceis de compreender.&lt;/em&gt; &lt;/strong&gt;(Marcel Proust em &lt;em&gt;Em busca do tempo perdido - No caminho de Swann,&lt;/em&gt; p. 41)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Reconhecer na dor o privilégio da vida é o que há de grandioso por aqui. Recolher os cacos, jogar fora o lixo, selecionar os benefícios da angústia e dar mais um passo... é assim que se prossegue. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despir-se internamente é para os corajosos. Bem poucas coisas valem a pena nesta vida; uma delas é desavergonhar-se, isso é para as almas desprendidas. Já amei algumas vezes e me entreguei por inteira, ainda que essa inteireza nem sempre tenha sido física (isso pouco importa, às vezes). Porque, para mim, só assim é possível sentir o invisível nos tocando por completo. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Também já sofri algumas vezes, já fui repartida, já me senti despedaçada, destruída... Mas me juntei de novo, sempre mais forte, mais lúcida, mais íntegra. Assim, sempre olho para trás, não para lamentar o que vivi, mas para contemplar o quanto foi bom ter continuado. Desapegar-se não é apenas um verbo na forma pronominal. Desapegar-se é também trocar de pele. É agigantar-se frente às dores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo quando dizem que, às vezes, necessitamos de máscaras, caso contrário, não daríamos conta da vida, pois seríamos engolidos e devorados pelo mundo. Mas não me permito, nem quero, que minhas máscaras se tornem tão minhas, tão grudadas na pele, absorvidas por ela, a ponto de me confundirem sobre quem sou. Entendo que é impossível sermos verdadeiros o tempo todo. É absolutamente impossível, porém, gosto da nudez. Da nudez de alma. Gosto de gente que se despe, que lança fora tudo que o enfeita, que o cobre, que o torna outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de gente que faz isso pelo menos de vez em quando. Porque se o fizer o tempo todo, eu suspeitarei de que a nudez também seja encenação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PROUST, Marcel. &lt;em&gt; Em busca do tempo perdido - No caminho de Swann. &lt;/em&gt;Tradução de Mario Quintana. 11ª edição. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1987.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://alinemenezes.com/novo&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align: left;"><strong>[...]<em> Em mim, também, foram destruídas muitas coisas que julgava iriam durar para sempre, e novas coisas se edificaram, dando nascimento a penas e alegrias, que eu não poderia prever então, da mesma forma que as antigas se me tornaram difíceis de compreender.</em> </strong>(Marcel Proust em <em>Em busca do tempo perdido - No caminho de Swann,</em> p. 41)</p>
</blockquote>
<p>Reconhecer na dor o privilégio da vida é o que há de grandioso por aqui. Recolher os cacos, jogar fora o lixo, selecionar os benefícios da angústia e dar mais um passo... é assim que se prossegue. <br /><br />Despir-se internamente é para os corajosos. Bem poucas coisas valem a pena nesta vida; uma delas é desavergonhar-se, isso é para as almas desprendidas. Já amei algumas vezes e me entreguei por inteira, ainda que essa inteireza nem sempre tenha sido física (isso pouco importa, às vezes). Porque, para mim, só assim é possível sentir o invisível nos tocando por completo. <br /><em></em></p><p>Também já sofri algumas vezes, já fui repartida, já me senti despedaçada, destruída... Mas me juntei de novo, sempre mais forte, mais lúcida, mais íntegra. Assim, sempre olho para trás, não para lamentar o que vivi, mas para contemplar o quanto foi bom ter continuado. Desapegar-se não é apenas um verbo na forma pronominal. Desapegar-se é também trocar de pele. É agigantar-se frente às dores. <br /><br />Concordo quando dizem que, às vezes, necessitamos de máscaras, caso contrário, não daríamos conta da vida, pois seríamos engolidos e devorados pelo mundo. Mas não me permito, nem quero, que minhas máscaras se tornem tão minhas, tão grudadas na pele, absorvidas por ela, a ponto de me confundirem sobre quem sou. Entendo que é impossível sermos verdadeiros o tempo todo. É absolutamente impossível, porém, gosto da nudez. Da nudez de alma. Gosto de gente que se despe, que lança fora tudo que o enfeita, que o cobre, que o torna outro. <br /><br />Gosto de gente que faz isso pelo menos de vez em quando. Porque se o fizer o tempo todo, eu suspeitarei de que a nudez também seja encenação.<br /><br />______________<br /><strong>PROUST, Marcel. <em> Em busca do tempo perdido - No caminho de Swann. </em>Tradução de Mario Quintana. 11ª edição. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1987.</strong></p><div class="item_footer"><p><small><a href="http://alinemenezes.com/novo">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
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		</item>
				<item>
			<title>stupidity</title>
			<link>http://alinemenezes.com/stupidity</link>
			<pubDate>Wed, 24 Oct 2012 13:34:00 +0000</pubDate>			<dc:creator>Aline Menezes</dc:creator>
			<category domain="alt">Sociedade</category>
<category domain="main">Cristianismo</category>
<category domain="alt">Protestos</category>
<category domain="alt">Minhas reflexões</category>			<guid isPermaLink="false">1355@http://alinemenezes.com/</guid>
						<description>&lt;div&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span&gt;A face humana é igual à daqueles deuses orientais: várias faces sobrepostas em diferentes planos, e é impossível ver todas elas de uma só vez.&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;(Marcel Proust)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;DEUS AMA OS GAYS,&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;mas isso não é o bastante&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;por &lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Aline Menezes*&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;p&gt;A minha fé (ou as minhas crenças) jamais deverá servir de desculpa para incitar a violência contra quaisquer pessoas que assumam práticas sexuais diferentes das minhas. Pela visão de mundo que sempre busco ter, acompanho com frequência o noticiário e o debate sobre os crimes executados contra os homossexuais, consequentemente, sobre os direitos deles. O que vejo: tolos e fariseus discutindo de maneira leviana questões fundamentais para qualquer país que queira ser democraticamente livre. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;No ano passado, o jornalista e deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) escreveu uma carta para o Jornal do Brasil em resposta a um colunista que o acusara de “censurar cristãos”. Nas palavras de Leandro Fortes, repórter da &lt;a href=&quot;http://www.cartacapital.com.br/politica/a-trincheira-de-jean-wyllys/&quot;&gt;revista CartaCapital&lt;/a&gt;, o texto do parlamentar era “uma pequena aula de civilidade e história”. Reproduzo aqui apenas um trecho, mas ressalvo que o documento completo merece ser lido: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...] &lt;em&gt;Sendo a defesa da Dignidade Humana um princípio soberano da Constituição Federal e norte de todo ordenamento jurídico brasileiro, ela deve ser tutelada pelo Estado e servir de limite à liberdade de expressão. Ou seja, o limite da liberdade de expressão de quem quer que seja é a dignidade da pessoa humana do outro. O que fanáticos e fundamentalistas religiosos mais têm feito nos últimos anos é violar a dignidade humana de homossexuais.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Quando li a carta, quis abraçar Jean Wyllys e pedir desculpas a ele pelos imbecis que dizem compartilhar da mesma fé que eu; queria ter pedido desculpas a Jean Wyllys e a todos aqueles que diariamente sofrem ou já foram vítimas de seres homofóbicos, muitos dos quais são agressores que se vestem de terno e gravata e demonstram ares de virilidade, típicos dos machos mais selvagens que a natureza ainda não conseguiu banir da Terra; queria ter pedido desculpas a todos os gays, lésbicas, travestis e tantas outras pessoas identificadas por nomes estigmatizados, utilizados para oprimi-los, violentá-los e tirar deles o direito à vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deputado tem razão: fanáticos e fundamentalistas religiosos têm provocado a disseminação do ódio contra os homossexuais. Além disso, Jean Wyllys comentou que, no Brasil, 200 homossexuais são brutalmente assassinados por ano, segundo estatísticas divulgadas pelo Grupo Gay da Bahia e da Anistia Internacional. (Não apurei dados recentes). De tão comuns, esses crimes nem sempre estampam as capas dos jornais ou das agências de notícias, pois já integram a seção de “cotidiano”. A motivação da brutalidade contra eles: a identidade de gênero.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Numa lúcida &lt;a href=&quot;http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-pastor-herege/&quot;&gt;entrevista à CartaCapital&lt;/a&gt;, também de 2011, o pastor Ricardo Gondim afirmou que é a favor da união civil entre os homossexuais. E mais: “Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossexuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou heterossexualidade”.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Essa entrevista rendeu a Ricardo Gondim sua “demissão” como colunista de uma das revistas mais importantes do meio evangélico no Brasil, a Ultimato (nome sugestivo). E rendeu também uma série de acusações e violências verbais contra o téologo e escritor brasileiro. Porém, Gondim afirmou &lt;a href=&quot;http://www.ricardogondim.com.br/50anos/recesso-preciso-de-um-tempo&quot;&gt;no site dele&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;[...] &lt;em&gt;Eu podia ser outra pessoa. Estou consciente de meus dons e talentos. Sei que poderia tornar-me famoso e disputado entre os maiorais do movimento evangélico. Mas, não sei explicar, preferi o caminho dos proscritos. E a minha história virou piada; fui arrastado ao charco. Dei uma entrevista à revista Carta Capital (eu daria novamente, sem tirar uma vírgula) e os eventos desandaram. Antigos companheiros passaram a me evitar como um leproso. Reconhecer que homossexuais têm direito era um pecado incontornável. Contudo, prefiro o ódio de fundamentalistas e homofóbicos à falta de paz; quero poder deitar a cabeça no travesseiro com a consciência de que defendi o que é justo.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Sempre que releio essa parte, eu me emociono. Porque sinto que é uma declaração honesta e sincera de alguém que reconhece a essência da expressão &quot;fé cristã&quot; e não se rende à estupidez religiosa, nem muito menos à hipocrisia de semideuses, encastelados em seus púlpitos ou gabinetes fedidos e sujos de excrescências diabólicas. Graças a Deus, e somente a Ele, existem cristãos que pensam diferentemente das declarações equivocadas de Silas Malafaia, por exemplo, e de todos os seus seguidores inocentes ou perversos; mal-informados ou estúpidos.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Aqueles que são incapazes de reconhecer as diferenças, os direitos, as dores e as angústias alheias jamais deveriam ser chamados de cristãos. Primeiramente, porque não o são; em segundo lugar, porque nunca o foram.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;*&lt;em&gt;Jornalista, sergipana, residente em Brasília&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://alinemenezes.com/stupidity&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<blockquote>
<p><span><strong><em><span>A face humana é igual à daqueles deuses orientais: várias faces sobrepostas em diferentes planos, e é impossível ver todas elas de uma só vez.</span> </em></strong>(Marcel Proust)</span></p>
</blockquote>
<div>
<p><strong>DEUS AMA OS GAYS,<br /></strong><strong>mas isso não é o bastante</strong></p>
<p><em>por </em><strong>Aline Menezes*</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><p>A minha fé (ou as minhas crenças) jamais deverá servir de desculpa para incitar a violência contra quaisquer pessoas que assumam práticas sexuais diferentes das minhas. Pela visão de mundo que sempre busco ter, acompanho com frequência o noticiário e o debate sobre os crimes executados contra os homossexuais, consequentemente, sobre os direitos deles. O que vejo: tolos e fariseus discutindo de maneira leviana questões fundamentais para qualquer país que queira ser democraticamente livre. <br /></p></p></div></div><p>No ano passado, o jornalista e deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) escreveu uma carta para o Jornal do Brasil em resposta a um colunista que o acusara de “censurar cristãos”. Nas palavras de Leandro Fortes, repórter da <a href="http://www.cartacapital.com.br/politica/a-trincheira-de-jean-wyllys/">revista CartaCapital</a>, o texto do parlamentar era “uma pequena aula de civilidade e história”. Reproduzo aqui apenas um trecho, mas ressalvo que o documento completo merece ser lido: <br /><br />[...] <em>Sendo a defesa da Dignidade Humana um princípio soberano da Constituição Federal e norte de todo ordenamento jurídico brasileiro, ela deve ser tutelada pelo Estado e servir de limite à liberdade de expressão. Ou seja, o limite da liberdade de expressão de quem quer que seja é a dignidade da pessoa humana do outro. O que fanáticos e fundamentalistas religiosos mais têm feito nos últimos anos é violar a dignidade humana de homossexuais.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">Quando li a carta, quis abraçar Jean Wyllys e pedir desculpas a ele pelos imbecis que dizem compartilhar da mesma fé que eu; queria ter pedido desculpas a Jean Wyllys e a todos aqueles que diariamente sofrem ou já foram vítimas de seres homofóbicos, muitos dos quais são agressores que se vestem de terno e gravata e demonstram ares de virilidade, típicos dos machos mais selvagens que a natureza ainda não conseguiu banir da Terra; queria ter pedido desculpas a todos os gays, lésbicas, travestis e tantas outras pessoas identificadas por nomes estigmatizados, utilizados para oprimi-los, violentá-los e tirar deles o direito à vida. <br /><br />O deputado tem razão: fanáticos e fundamentalistas religiosos têm provocado a disseminação do ódio contra os homossexuais. Além disso, Jean Wyllys comentou que, no Brasil, 200 homossexuais são brutalmente assassinados por ano, segundo estatísticas divulgadas pelo Grupo Gay da Bahia e da Anistia Internacional. (Não apurei dados recentes). De tão comuns, esses crimes nem sempre estampam as capas dos jornais ou das agências de notícias, pois já integram a seção de “cotidiano”. A motivação da brutalidade contra eles: a identidade de gênero.</p>
<p style="text-align: justify;">Numa lúcida <a href="http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-pastor-herege/">entrevista à CartaCapital</a>, também de 2011, o pastor Ricardo Gondim afirmou que é a favor da união civil entre os homossexuais. E mais: “Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossexuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou heterossexualidade”.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa entrevista rendeu a Ricardo Gondim sua “demissão” como colunista de uma das revistas mais importantes do meio evangélico no Brasil, a Ultimato (nome sugestivo). E rendeu também uma série de acusações e violências verbais contra o téologo e escritor brasileiro. Porém, Gondim afirmou <a href="http://www.ricardogondim.com.br/50anos/recesso-preciso-de-um-tempo">no site dele</a>:</p>
<p style="text-align: justify;">[...] <em>Eu podia ser outra pessoa. Estou consciente de meus dons e talentos. Sei que poderia tornar-me famoso e disputado entre os maiorais do movimento evangélico. Mas, não sei explicar, preferi o caminho dos proscritos. E a minha história virou piada; fui arrastado ao charco. Dei uma entrevista à revista Carta Capital (eu daria novamente, sem tirar uma vírgula) e os eventos desandaram. Antigos companheiros passaram a me evitar como um leproso. Reconhecer que homossexuais têm direito era um pecado incontornável. Contudo, prefiro o ódio de fundamentalistas e homofóbicos à falta de paz; quero poder deitar a cabeça no travesseiro com a consciência de que defendi o que é justo.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">Sempre que releio essa parte, eu me emociono. Porque sinto que é uma declaração honesta e sincera de alguém que reconhece a essência da expressão "fé cristã" e não se rende à estupidez religiosa, nem muito menos à hipocrisia de semideuses, encastelados em seus púlpitos ou gabinetes fedidos e sujos de excrescências diabólicas. Graças a Deus, e somente a Ele, existem cristãos que pensam diferentemente das declarações equivocadas de Silas Malafaia, por exemplo, e de todos os seus seguidores inocentes ou perversos; mal-informados ou estúpidos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">Aqueles que são incapazes de reconhecer as diferenças, os direitos, as dores e as angústias alheias jamais deveriam ser chamados de cristãos. Primeiramente, porque não o são; em segundo lugar, porque nunca o foram.</p>
<p style="text-align: justify;"><br />*<em>Jornalista, sergipana, residente em Brasília</em></p>
<br />
<div class="item_footer"><p><small><a href="http://alinemenezes.com/stupidity">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
								<comments>http://alinemenezes.com/stupidity#comments</comments>
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		</item>
				<item>
			<title>loftiness</title>
			<link>http://alinemenezes.com/loftiness</link>
			<pubDate>Thu, 18 Oct 2012 18:18:00 +0000</pubDate>			<dc:creator>Aline Menezes</dc:creator>
			<category domain="main">Minhas reflexões</category>			<guid isPermaLink="false">1354@http://alinemenezes.com/</guid>
						<description>&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span&gt;Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (Millôr Fernandes)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div&gt;
&lt;p&gt;Somente os idiotas acreditam que são bons... ou que são bons o bastante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Somos essencialmente presunçosos, vaidosos, egoístas, cheios de nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Tem gente que julga ser uma afronta o fato de o mundo não se render aos seus caprichos.&lt;/p&gt;
&lt;div&gt;&lt;p&gt;Tem gente que enche o peito para dizer que, no lugar do outro, faria tudo diferente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre-me agora que a humanidade é uma concentração ridícula de seres estúpidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou uma pessoa de sorte, presumo: conheço gente consciente de tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Faz anos que descobri que não sou livre coisíssima nenhuma. Nunca fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A liberdade que suponho ter está na teologia, na filosofia, na poesia, na literatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu também vivo os meus momentos de encruzilhada. E não são poucos.&lt;/div&gt;

&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Canso-me todas as vezes em que sou levada a discutir com anencéfalos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... Mas sei que preciso ter olhos de misericórdia.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div&gt;Penso em Deus e em tudo que inventaram a respeito dele.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div&gt;Penso em Malala, a paquistanesa vítima do Talibã.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div&gt;Penso nos inúmeros equívocos da religião e na ignorância de débeis mentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso na vida e em todas as outras coisas do  mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso no tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... e no quanto com ele morri.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://alinemenezes.com/loftiness&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p><strong><em><span>Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem.</span></em></strong> (Millôr Fernandes)</p>
</blockquote>
<div>
<p>Somente os idiotas acreditam que são bons... ou que são bons o bastante. <br /><br /><span>Somos essencialmente presunçosos, vaidosos, egoístas, cheios de nós. <br /><br /></span>Tem gente que julga ser uma afronta o fato de o mundo não se render aos seus caprichos.</p>
<div><p>Tem gente que enche o peito para dizer que, no lugar do outro, faria tudo diferente. <br /><br />Ocorre-me agora que a humanidade é uma concentração ridícula de seres estúpidos. <br /><br />Sou uma pessoa de sorte, presumo: conheço gente consciente de tudo isso.<br /></p></div></div>
<div><br />Faz anos que descobri que não sou livre coisíssima nenhuma. Nunca fui.<br /><br />A liberdade que suponho ter está na teologia, na filosofia, na poesia, na literatura. <br /><br />Eu também vivo os meus momentos de encruzilhada. E não são poucos.</div>

<p></p><div>
<div><br />Canso-me todas as vezes em que sou levada a discutir com anencéfalos.<br /><br />... Mas sei que preciso ter olhos de misericórdia.</div>
<div>
<div>Penso em Deus e em tudo que inventaram a respeito dele.</div>
</div>
<div>
<div>Penso em Malala, a paquistanesa vítima do Talibã.</div>
</div>
<div>
<div>Penso nos inúmeros equívocos da religião e na ignorância de débeis mentais.<br /><br />Penso na vida e em todas as outras coisas do  mundo.<br /><br />Penso no tempo...<br /><br />... e no quanto com ele morri.</div>
</div>
</div>
<div class="item_footer"><p><small><a href="http://alinemenezes.com/loftiness">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
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		</item>
				<item>
			<title>stand up</title>
			<link>http://alinemenezes.com/stand-up</link>
			<pubDate>Fri, 21 Sep 2012 22:52:00 +0000</pubDate>			<dc:creator>Aline Menezes</dc:creator>
			<category domain="alt">Sociedade</category>
<category domain="main">Protestos</category>
<category domain="alt">Minhas reflexões</category>			<guid isPermaLink="false">1352@http://alinemenezes.com/</guid>
						<description>&lt;div&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Sem entender a televisão, ninguém pode entender a cultura popular americana. Nem a política americana. É ela quem elege os nossos presidentes.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (Camille Paglia, escritora estadunidense)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;Violência &lt;em&gt;stand up&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;por &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Aline Menezes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;Casos de Família&lt;/em&gt;, apresentado por Christina Rocha e exibido de segunda a sexta-feira pelo SBT, é uma daquelas produções televisivas que nos fazem parecer idiotas, e talvez sejamos mesmo. Tive a infelicidade de assistir ao programa do último dia 17; foram necessários menos de 5 minutos para que eu ficasse perplexa diante do que vi. Não é algo novo o fato de as pessoas serem nacionalmente expostas ao ridículo, nem muito menos que assuntos sérios sejam tratados de modo leviano pelas emissoras de TV. (A propósito, estamos nos referindo a concessões públicas).&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;A edição dessa data, pelo que entendi, era sobre a agressividade de alguns homens contra as suas mulheres (esposas). Uma das participantes, diversas vezes, afirmou: &quot;ele bate sempre em mim&quot;; &quot;ele me bate com chutes, com socos&quot;; &quot;ele me bate, por exemplo, quando eu não pego a toalha pra ele&quot;. A aparente naturalidade com a qual a mulher revela tais agressões me impressiona. A plateia ri. Ri porque tudo é apresentado de maneira divertida, espetacular, na acepção mais verdadeira da palavra. Ri na conivência de quem não reflete sobre a gravidade do que se passa, daquilo que está diante dos olhos. O máximo que a plateia consegue gritar é um: &quot;folgadooooo!! folgadoooo!!!!&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tornar tudo ainda mais animado, a apresentadora pergunta: &quot;você gosta dele?&quot;, ao que a participante responde: &quot;sim, eu gosto dele&quot;. Mais uma vez, a plateia se manifesta com risos e um &quot;sussurro&quot; do tipo: &quot;ah, então ela apanha porque gosta&quot; [risos]. No &quot;fundo&quot;, é exatamente isso que o senso comum reproduz. Pior: é exatamente isso que o programa reproduz. Fora isso, a entrada do marido dessa participante é quase triunfal... ele desce a escadaria, que compõe o cenário do programa, com um leve sorriso no rosto, enquanto a plateia (ah, a plateia!!!) dá vaias, que não o constrangem, mas o fazem apenas centro das atenções.
&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;text_exposed_show&quot;&gt;&quot;Por que você bate nela?&quot;, Christina pergunta. &quot;Porque eu chego cansado do trabalho&quot;, ele responde, dando a entender que ele tem certeza de que a sua atitude é legítima, afinal, o cansaço por um dia terrível de trabalho, por provavelmente ter suportado o trânsito infernal da cidade grande e por todas as outras razões do dia a dia... isso o faz quase ter o direito de bater na mulher. Afinal de contas, para todo cansaço, é justo que haja um momento ou ocasião para que se extravase. Por que não na mulher?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez se aquele homem tivesse a oportunidade de articular melhor a linguagem, utilizar melhor os conectores, ele dissesse aquela frase em outras palavras: &quot;Eu chego cansado em casa, depois de um dia infernal de trabalho, portanto, bastante estressado. Vivo esse ritmo há anos. Não tenho o direito nem sequer de chegar em casa e ter uma toalha à minha disposição. É claro que eu não gostaria de bater na minha mulher, mas eu me descontrolo e acabo despejando minhas frustrações de maneira agressiva contra ela&quot;. Mas ele é prático, sucinto, não demora com palavras (afinal, ele é homem, e são as mulheres que falam em demasia; estou aqui confirmando a regra): &quot;[bato na minha mulher] porque eu chego cansado do trabalho&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem recebe o título de &quot;folgado&quot;, quando na verdade ele é violento; a mulher recebe a inscrição subliminar &quot;Apanho porque gosto&quot;, quando na verdade ela é mais uma dentre milhões de mulheres que adoeceram também numa relação agressiva, machista, bruta... Mulheres que acabam aceitando a ideia de que elas são culpadas pela violência da qual são vítimas; mulheres que se sentem incapazes de viver sem eles, os quais são ainda os mantenedores, aqueles que levam o pão e o leite para os seus filhos; mulheres que também se tornam agressivas, especialmente com elas mesmas; mulheres que aprenderam a lógica perversa dos relacionamentos: se ele me bate, é porque mereço; caso contrário, como ele me ama, sei que ele não faria isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada do que eu escrevi até aqui é novo, aliás, faço-me repetitiva e simples nos argumentos; da mesma forma, nada do que escrevi até aqui está no passado, visto que ainda é frequente, comum. Talvez esta minha edição dos fatos, apresentados no programa que vi, seja parcial. Admito que não narrei a parte em que o homem é repreendido pela apresentadora porque ele ameaçara bater na mulher exatamente ali, diante das câmeras... Que &lt;em&gt;Casos de Família&lt;/em&gt; já tenha sido acusado de armação, sobre isso já ouvimos falar... e disso não duvido. Mas, ao que me parece, não importa se tudo não passou de armação (quer dizer, sim, importa, e muito! Porém, não discutirei isso agora), é válido que tudo foi dado como real, como &quot;casos de família&quot;, conflitos diários, problemas do cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Violência é crime. Por incrível que pareça, violência contra a mulher também é crime. O assunto não é &lt;em&gt;Stand Up Comedy&lt;/em&gt;, portanto, exige reflexões muito mais sofisticadas do que as vaias de pessoas igualmente dispostas a incorporarem o espetáculo televisivo e nocivo, ao qual, lamentavelmente, estamos acostumados a assistir e do qual também, de um jeito ou de outro, participamos. É ridículo que situações tão graves como a violência doméstica sejam apresentadas de modo tão patético, disseminando a ignorância e a estupidez, ridicularizando mulheres e homens, transformando a gravidade do tema num simples adjetivo masculino singular: folgado. Ironicamente a palavra folgado significa também abusado, e não abusador.&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://alinemenezes.com/stand-up&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<blockquote>
<p><strong><em>Sem entender a televisão, ninguém pode entender a cultura popular americana. Nem a política americana. É ela quem elege os nossos presidentes.</em></strong> (Camille Paglia, escritora estadunidense)</p>
</blockquote>
<div>
<p><span><strong><span style="font-size: medium;">Violência <em>stand up</em></span><br /></strong>por <strong><em>Aline Menezes<br /><br /></em></strong></span><em>Casos de Família</em>, apresentado por Christina Rocha e exibido de segunda a sexta-feira pelo SBT, é uma daquelas produções televisivas que nos fazem parecer idiotas, e talvez sejamos mesmo. Tive a infelicidade de assistir ao programa do último dia 17; foram necessários menos de 5 minutos para que eu ficasse perplexa diante do que vi. Não é algo novo o fato de as pessoas serem nacionalmente expostas ao ridículo, nem muito menos que assuntos sérios sejam tratados de modo leviano pelas emissoras de TV. (A propósito, estamos nos referindo a concessões públicas).</p>
</div>
<p></p></div>A edição dessa data, pelo que entendi, era sobre a agressividade de alguns homens contra as suas mulheres (esposas). Uma das participantes, diversas vezes, afirmou: "ele bate sempre em mim"; "ele me bate com chutes, com socos"; "ele me bate, por exemplo, quando eu não pego a toalha pra ele". A aparente naturalidade com a qual a mulher revela tais agressões me impressiona. A plateia ri. Ri porque tudo é apresentado de maneira divertida, espetacular, na acepção mais verdadeira da palavra. Ri na conivência de quem não reflete sobre a gravidade do que se passa, daquilo que está diante dos olhos. O máximo que a plateia consegue gritar é um: "folgadooooo!! folgadoooo!!!!".<br /><br />Para tornar tudo ainda mais animado, a apresentadora pergunta: "você gosta dele?", ao que a participante responde: "sim, eu gosto dele". Mais uma vez, a plateia se manifesta com risos e um "sussurro" do tipo: "ah, então ela apanha porque gosta" [risos]. No "fundo", é exatamente isso que o senso comum reproduz. Pior: é exatamente isso que o programa reproduz. Fora isso, a entrada do marido dessa participante é quase triunfal... ele desce a escadaria, que compõe o cenário do programa, com um leve sorriso no rosto, enquanto a plateia (ah, a plateia!!!) dá vaias, que não o constrangem, mas o fazem apenas centro das atenções.
<p></p><div class="text_exposed_show">"Por que você bate nela?", Christina pergunta. "Porque eu chego cansado do trabalho", ele responde, dando a entender que ele tem certeza de que a sua atitude é legítima, afinal, o cansaço por um dia terrível de trabalho, por provavelmente ter suportado o trânsito infernal da cidade grande e por todas as outras razões do dia a dia... isso o faz quase ter o direito de bater na mulher. Afinal de contas, para todo cansaço, é justo que haja um momento ou ocasião para que se extravase. Por que não na mulher?!<br /><br />Talvez se aquele homem tivesse a oportunidade de articular melhor a linguagem, utilizar melhor os conectores, ele dissesse aquela frase em outras palavras: "Eu chego cansado em casa, depois de um dia infernal de trabalho, portanto, bastante estressado. Vivo esse ritmo há anos. Não tenho o direito nem sequer de chegar em casa e ter uma toalha à minha disposição. É claro que eu não gostaria de bater na minha mulher, mas eu me descontrolo e acabo despejando minhas frustrações de maneira agressiva contra ela". Mas ele é prático, sucinto, não demora com palavras (afinal, ele é homem, e são as mulheres que falam em demasia; estou aqui confirmando a regra): "[bato na minha mulher] porque eu chego cansado do trabalho".<br /><br />O homem recebe o título de "folgado", quando na verdade ele é violento; a mulher recebe a inscrição subliminar "Apanho porque gosto", quando na verdade ela é mais uma dentre milhões de mulheres que adoeceram também numa relação agressiva, machista, bruta... Mulheres que acabam aceitando a ideia de que elas são culpadas pela violência da qual são vítimas; mulheres que se sentem incapazes de viver sem eles, os quais são ainda os mantenedores, aqueles que levam o pão e o leite para os seus filhos; mulheres que também se tornam agressivas, especialmente com elas mesmas; mulheres que aprenderam a lógica perversa dos relacionamentos: se ele me bate, é porque mereço; caso contrário, como ele me ama, sei que ele não faria isso.<br /><br />Nada do que eu escrevi até aqui é novo, aliás, faço-me repetitiva e simples nos argumentos; da mesma forma, nada do que escrevi até aqui está no passado, visto que ainda é frequente, comum. Talvez esta minha edição dos fatos, apresentados no programa que vi, seja parcial. Admito que não narrei a parte em que o homem é repreendido pela apresentadora porque ele ameaçara bater na mulher exatamente ali, diante das câmeras... Que <em>Casos de Família</em> já tenha sido acusado de armação, sobre isso já ouvimos falar... e disso não duvido. Mas, ao que me parece, não importa se tudo não passou de armação (quer dizer, sim, importa, e muito! Porém, não discutirei isso agora), é válido que tudo foi dado como real, como "casos de família", conflitos diários, problemas do cotidiano.<br /><br />Violência é crime. Por incrível que pareça, violência contra a mulher também é crime. O assunto não é <em>Stand Up Comedy</em>, portanto, exige reflexões muito mais sofisticadas do que as vaias de pessoas igualmente dispostas a incorporarem o espetáculo televisivo e nocivo, ao qual, lamentavelmente, estamos acostumados a assistir e do qual também, de um jeito ou de outro, participamos. É ridículo que situações tão graves como a violência doméstica sejam apresentadas de modo tão patético, disseminando a ignorância e a estupidez, ridicularizando mulheres e homens, transformando a gravidade do tema num simples adjetivo masculino singular: folgado. Ironicamente a palavra folgado significa também abusado, e não abusador.</div>
<p> </p>
<div class="item_footer"><p><small><a href="http://alinemenezes.com/stand-up">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
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			<title>touchable</title>
			<link>http://alinemenezes.com/touchable</link>
			<pubDate>Sun, 12 Aug 2012 17:37:00 +0000</pubDate>			<dc:creator>Aline Menezes</dc:creator>
			<category domain="main">Minhas reflexões</category>
<category domain="alt">Homo sapiens</category>			<guid isPermaLink="false">1351@http://alinemenezes.com/</guid>
						<description>&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;É preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;(Guimarães Rosa)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;Na vida, o que é belo é ser tocável&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;por &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Aline Menezes&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;p&gt;Ao longo de nossa vida, carregamos conosco grande quantidade de material corrosivo, o qual destrói aqueles que atravessam o nosso caminho e, principalmente, contamina a nós mesmos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho aprendido que a nossa interioridade é indecifrável, que ninguém (nem eu, nem você) tem condições de definir ou explicar tudo o que nos constitui internamente. Há uma parte da existência humana que é incapturável. Por mais sensíveis que sejamos (e alguns têm sensibilidade extremada e bela), é tarefa insana querer compreender completamente o que existe de mais profundo em nossa alma. Resta-nos apenas a abertura para enxergarmos o mais longe possível, a fim de não nos tornarmos indiferentes à dor alheia, nem muito menos à dor que nos envolve, para não nos tornarmos cínicos. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;Ainda tenho muitas dificuldades de me recuperar após uma experiência de dor e sofrimento. Os meus passos são, se em direção ao comportamento dos resignados, quase sempre lentos e desproporcionais. Isso porque as minhas experiências negativas ganham em mim dimensões gigantescas. Sou um ser exagerado, até nas escolhas das palavras e das expressões: sou a hipérbole do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, percebo nas pessoas (e em mim) coisas tão diabólicas, que me assusto. Vejo e sinto a atmosfera do ambiente físico, emocional e afetivo. Estou em contato com a pele, sempre, mas a pele de dentro. Sinto tudo de maneira bem particular, bem íntima. Absorvo a vida. Porque, não nos enganemos, somos impelidos para a morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como eu disse, carregamos conosco grande quantidade de material corrosivo. Tem gente que é pura acidez. Que é tóxica. Às vezes, somos todos assim. Exalamos substâncias que provocam queimaduras, danificam irreversivelmente o que antes era tecido ou matéria viva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessário ter olhar atento para perceber o outro em meio a tantas agitações. É necessário observar o corpo que se move em nossa frente. É necessário ter cuidado, saber segurar delicadamente a respiração do outro. A indiferença às experiências humanas é algo doloso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De modo definitivo, não sou o tipo de pessoa que acha a vida linda, não vejo razões para isso. As pessoas são, quase sempre, seres insuportáveis, dissimulados, vaidosos e egoístas; o mundo, uma insanidade estúpida, hipócrita e desnecessária. Porém, incrivelmente me adapto à constatação de que há muita beleza por aqui. Que é possível continuar lutando e absorvendo o que ela, a vida, tem de melhor. E ela tem muita coisa melhor e bela! É possível evitar que substâncias corrosivas atuem sobre nós e sobre os outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos de nós já fomos tão corroídos (e já corroemos), que nos tornamos incapazes de permitir contato. Rendemo-nos à própria bolha formada em todo o nosso corpo. Sentir o toque é algo necessário e essencial à existência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos nos render a tudo que é belo, a tudo que é delicado, a tudo que é único. Precisamos estender o nosso corpo sobre o tapete de seda, fechar os olhos com segurança e sem medo, respirar devagar, pausadamente, e sentir quando alguém ou algo nos toca de modo profundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos, de uma vez por todas, deixar as mãos afáveis da vida cuidarem das nossas queimaduras, das bolhas, umedecerem a secura causada pelas experiências negativas, penetrarem a pele e alcançarem a alma novamente. Porque, na vida, o que é belo é ser tocável.&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://alinemenezes.com/touchable&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p><span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"><strong><em>É preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado. </em></strong>(Guimarães Rosa)</span></p>
</blockquote>
<div style="text-align: justify;">
<p><span style="font-family: book antiqua,palatino; font-size: medium;"><strong><span style="font-size: large;">Na vida, o que é belo é ser tocável</span><br /></strong>por <strong><em>Aline Menezes</em></strong></span></p>
</div>
<div style="text-align: left;"><p>Ao longo de nossa vida, carregamos conosco grande quantidade de material corrosivo, o qual destrói aqueles que atravessam o nosso caminho e, principalmente, contamina a nós mesmos. <br /><br />Tenho aprendido que a nossa interioridade é indecifrável, que ninguém (nem eu, nem você) tem condições de definir ou explicar tudo o que nos constitui internamente. Há uma parte da existência humana que é incapturável. Por mais sensíveis que sejamos (e alguns têm sensibilidade extremada e bela), é tarefa insana querer compreender completamente o que existe de mais profundo em nossa alma. Resta-nos apenas a abertura para enxergarmos o mais longe possível, a fim de não nos tornarmos indiferentes à dor alheia, nem muito menos à dor que nos envolve, para não nos tornarmos cínicos. <br /></p></div>Ainda tenho muitas dificuldades de me recuperar após uma experiência de dor e sofrimento. Os meus passos são, se em direção ao comportamento dos resignados, quase sempre lentos e desproporcionais. Isso porque as minhas experiências negativas ganham em mim dimensões gigantescas. Sou um ser exagerado, até nas escolhas das palavras e das expressões: sou a hipérbole do mundo. <br /><br />Às vezes, percebo nas pessoas (e em mim) coisas tão diabólicas, que me assusto. Vejo e sinto a atmosfera do ambiente físico, emocional e afetivo. Estou em contato com a pele, sempre, mas a pele de dentro. Sinto tudo de maneira bem particular, bem íntima. Absorvo a vida. Porque, não nos enganemos, somos impelidos para a morte. <br /><br />Mas, como eu disse, carregamos conosco grande quantidade de material corrosivo. Tem gente que é pura acidez. Que é tóxica. Às vezes, somos todos assim. Exalamos substâncias que provocam queimaduras, danificam irreversivelmente o que antes era tecido ou matéria viva. <br /><br />É necessário ter olhar atento para perceber o outro em meio a tantas agitações. É necessário observar o corpo que se move em nossa frente. É necessário ter cuidado, saber segurar delicadamente a respiração do outro. A indiferença às experiências humanas é algo doloso. <br /><br />De modo definitivo, não sou o tipo de pessoa que acha a vida linda, não vejo razões para isso. As pessoas são, quase sempre, seres insuportáveis, dissimulados, vaidosos e egoístas; o mundo, uma insanidade estúpida, hipócrita e desnecessária. Porém, incrivelmente me adapto à constatação de que há muita beleza por aqui. Que é possível continuar lutando e absorvendo o que ela, a vida, tem de melhor. E ela tem muita coisa melhor e bela! É possível evitar que substâncias corrosivas atuem sobre nós e sobre os outros. <br /><br />Muitos de nós já fomos tão corroídos (e já corroemos), que nos tornamos incapazes de permitir contato. Rendemo-nos à própria bolha formada em todo o nosso corpo. Sentir o toque é algo necessário e essencial à existência. <br /><br />Precisamos nos render a tudo que é belo, a tudo que é delicado, a tudo que é único. Precisamos estender o nosso corpo sobre o tapete de seda, fechar os olhos com segurança e sem medo, respirar devagar, pausadamente, e sentir quando alguém ou algo nos toca de modo profundo. <br /><br />Precisamos, de uma vez por todas, deixar as mãos afáveis da vida cuidarem das nossas queimaduras, das bolhas, umedecerem a secura causada pelas experiências negativas, penetrarem a pele e alcançarem a alma novamente. Porque, na vida, o que é belo é ser tocável.<div class="item_footer"><p><small><a href="http://alinemenezes.com/touchable">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
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