Indicação de Leitura »

[ 27 de Julho de 2007 | 9 feedbacks » | 3301 visualizações]

(...) é pelo escândalo que principalmente se manifesta a subjetividade, o indivíduo. Indubitavelmente que o escândalo sem ser escandalizado é um pouco menos impossível de conceber que um concerto de flauta sem flautista. No entanto, até um filósofo me confessaria a irrealidade, mais ainda do que do amor, do conceito do escândalo, e que ele não se torna real senão quando há alguém, quando há um indivíduo que se possa escandalizar. Portanto, o escândalo está ligado ao indivíduo (...). (Kierkegaard, p. 111)

O que não se tem de existências desperdiçadas!, disse o filósofo dinamarquês Sören Kierkegaard. Quando penso em doutrinas filosóficas ou literárias, gosto de pensar no existencialismo. Gosto de pensar no homem sob a perspectiva de Jean-Paul Sartre: "A existência precede a essência".

Existir e ser a própria essência. O que somos. Às vezes, no silêncio da noite, conseguimos existir. Conseguimos preceder nossa própria essência. É quando nos tornamos indivíduos, quando nos descobrimos subjetivos, quando encontramos nossa liberdade.

Nossa liberdade irrestrita...

... nossa condenação de sermos livres.

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KIERKEGAARD, Sören. O Desespero Humano. São Paulo: Martin Claret, inverno de 2003, p. 31 e 111.

NOTA: Sobre o existencialismo, clique aqui.

Minhas reflexões »

[ 20 de Julho de 2007 | 7 feedbacks » | 938 visualizações]

... e quando chegar a noite, cada estrela parecerá uma lágrima.

A vida é como um pé engessado há 25 dias: ficamos ansiosos para que tudo passe. E passa. De repente, como ficamos 25 dias imobilizados, já não sabemos mais como andar. Não temos tanta segurança pra firmar os pés. Temos medo de tropeçar novamente. E é para isto que existem as sessões de fisioterapia: precisamos ganhar estabilidade, pois é difícil andar com insegurança. Embora seja desafiador!

A vida é como um par de tênis novos, desses que os ortopedistas nos pedem para comprar. Serão confortáveis, mas precisamos pagar por eles. É preciso dar ao dono da loja algo em troca. Ele precisa vendê-los. Nós precisamos comprá-los. Pode ser uma troca justa!

A vida é como tudo que nela há: amores, paixões, desejos, solidão, dores, conversas, amarguras, tristezas, sonhos, ilusões, saudades, distâncias, decepções, ansiedades, proximidades, intimidades, tesão, tensão, trabalho, estudo, atração, sedução, livros...

... ela, a vida, parece-nos bela quando deixamos de acreditar em certas coisas, para dar lugar a tantas outras mais.

Quando acreditamos que, apesar das tristezas e das tensões, ainda estamos vivos. Mesmo que andemos inseguros.

Músicas »

[ 17 de Julho de 2007 | 4 feedbacks » | 731 visualizações]

Andréa Dória

Às vezes, parecia que, de tanto acreditar
Em tudo que achávamos tão certo,
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais:
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro.

Mas percebo agora
Que o teu sorriso
Vem diferente,
Quase parecendo te ferir.

Não queria te ver assim
Quero a tua força como era antes.
O que tens é só teu
E de nada vale fugir
E não sentir mais nada.

Às vezes, parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto,
Até chegar o dia em que tentamos ter demais,
Vendendo fácil o que não tinha preço.

Eu sei - é tudo sem sentido.
Quero ter alguém com quem conversar,
Alguém que depois não use o que eu disse
Contra mim.

Nada mais vai me ferir.
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada que segui
E com a minha própria lei.

Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais,
Como sei que tens também.

Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá