SUPERFÍCIE
(...) Assim vai o mundo. Assim se fazem algumas reputações más, e, o que parece absurdo, algumas boas. Com efeito, há vidas que só têm prólogo... (O narrador, no conto "A Senhora do Galvão", de Machado de Assis)
... porque a raça humana é complexa (e medíocre). Por mais bonzinhos e otimistas que sejamos, precisamos admitir: não há anjos entre nós. Num esforço milagroso, alguns conseguem sublimar. Criaturas honestas, íntegras, inteligentes e belas, apesar de toda a imperfeição que as cerca. Mas, inevitavelmente "mas", há sempre aquelas pessoinhas songamongas que encontramos por aí. Um olhar insosso. Ou até mesmo falsificado. Um sorriso ignóbil. Ou até mesmo nojento.
E aquela presteza e solicitude tão bonitinhas? Ah, quanto ardil! No fundo, há o coração prepotente e arrogante de sempre. Bom mesmo seria se tais atitudes benevolentes partissem da leveza de espírito... Do esforço para alterar a condição miserável do homem, de si mesmo. Da crença de que meras atitudes complacentes não nos fazem bons. Porque não somos.
Por isso mesmo, vejo beleza no alienista: "(...) Digo que não sinto em mim essa superioridade que acabo de ver definir com tanta magnificência. A simpatia é que vos faz falar. Estudo-me e nada acho que justifique os excessos da vossa bondade". É... muitos nem sabem se somos sensíveis e perceptivos!
Não sabem porque estão na superfície...