LIQUIDEZ INQUIETANTE
A tecnologia da comunicação proporciona uma quantidade inesgotável de troca de mensagens entre os cidadãos ávidos por relacionar-se. Mas nem sempre os intercâmbios eletrônicos funcionam como um prólogo para conversas mais substanciais, quando os interlocutores estiverem frente a frente. Os habitantes circulando pelas conexões líquidas da pós-modernidade são tagarelas a distância, mas, assim que entram em casa, fecham-se em seus quartos e ligam a televisão. (Gioconda Bordon, jornalista)
Se não houver reflexão, percepção e esperança, reproduziremos com muita facilidade comportamentos motivados pelo lixo ocidental da liquidez dos sentidos. E, nesse ritmo, tornamo-nos seres cada vez mais cínicos, sem a apreciação do que é sólido, consistente e que não desaparece no ar.
Sob diversas perspectivas e de diferentes maneiras, somos pressionados diariamente. Nossas angústias individuais e nossos medos coletivos, às vezes, ditam as regras e nos fazem cometer suicídios emocionais. E, se há remédio para alterar nossas percepções e torná-las mais saudáveis, penso que seja a prática da consciência.
Sim, acredito numa Consciência Superior. E é a essa consciência que eu gostaria de me submeter todos os dias. Abraço a visão de mundo espiritual. Numa tentativa de identificar o que há de verdadeiro, honesto, justo, puro, amável e virtuoso na vida, considerando que essa identificação será sempre, sempre subjetiva e solitária.
Sentir as dimensões da alma e do espírito, talvez seja essa a nossa maior falta. Enquanto as lágrimas simbolizarem a liquidez dos sentidos, ficaremos imersos na palidez dos pensamentos superficiais e da falsa satisfação pessoal. Seremos apenas como um bizarro lençol sujo de sangue: indícios de que algo esteve fora do controle...
... suspensão da beleza do que é sólido.
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A citação de Gioconda Bordon foi retirada do texto A fragilidade dos laços humanos, escrito com base no livro do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, intitulado Amor líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos (Editora Jorge Zahar, 2004).