O AMOR NATURAL

28/11/2007 - Categorias: Poema/Poesia, Minhas reflexões  

Ó TU, SUBLIME PUTA ENCANECIDA

Ó tu, sublime puta encanecida,
que me negas favores dispensados
em rubros tempos, quando nossa vida
eram vagina e fálus entrançados,

agora que estás velha e teus pecados
no rosto se revelam, de saída,
agora te recolhes aos selados
desertos da virtude carcomida.

E eu queria tão pouco desses peitos,
da garupa e da bunda que sorria
em alva aparição no canto escuro.

Queria teus encantos já desfeitos
re-sentir ao império do mais puro
tesão, e da mais breve fantasia.

(Carlos Drummond de Andrade)

Só o vento sabe sobre mim. Não adianta mais correr. O tempo não mais irá chorar, pois acabou a tempestade. Em pratos limpos, os prantos vão. Assim vem a melodia... que me convence do que é certo só aqui. As rosas que não chegam mais ao fim. Mesmo sem chuvas. Sem sol. Nada há de me impedir. Sigo os encantos desta vida. Com os cantos escuros da aparição. Os pecados que me trazem de volta... as flores. Tantas velhas rosas novas.

A espessura da solidão acompanhada. Dos riachos, dos jardins, das novas janelas. Que se abrem estampadas em nosso olhar. Sim, não vou fazer esforço pra contrariar. Seja assim como estiver. Se, por acaso, o caminho não se declarar. E nem adianta mais correr. Verdes mares. Sem agrados. Com desejos. Pele, tato e sabor. E assim sigo os encantos desta vida...

... deste delicioso inferno literário.

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ANDRADE, Carlos Drummond de. O amor natural. 16ª edição. Rio de Janeiro: Editora Record, p. 77.

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PALAVRAS ME AGUARDAM O TEMPO EXATO PRA FALAR

26/11/2007 - Categorias: Músicas, Minhas reflexões  

Não vou viver como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho onde eu vou
Às vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora...

(Pra rua me levar by Ana Carolina)

Sim, outro tempo começou pra mim agora. E também estou certa de que ainda tenho muita coisa pra arrumar. Assim como as promessas que me fiz e que ainda não cumpri. E como é bom saber que já sei olhar o rio por onde a vida passa!

Apenas ir. Deixando a rua me levar... Enquanto ando, olho como os pássaros antes de saberem por onde vão: a cidade silenciosa que me espera pra ver passar. Assim como as luzes que se apagam. Aqui estão os meus momentos. Momentos que são meus.

Não, não vou me precipitar. E nem perder a hora. É o meu silêncio que me basta. Escuto tudo aqui dentro de mim. E são elas: palavras que me aguardam o tempo exato pra falar.

Ainda que ninguém nunca queira ouvir.

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Ouça Ana Carolina e Seu Jorge…

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PRA ONDE VAI O SOL QUANDO A NOITE CAI...

24/11/2007 - Categorias: Músicas, Citações, Minhas reflexões  

(...) nenhuma conversão é mais difícil do que aquela que nos leva do último amor feito de obras ao primeiro amor feito de amor, de amor que dá fruto sem ter que fazer nada, assim como as mangueiras aqui de casa se derramam em mangas às centenas, sem que isso lhes seja um esforço ou mesmo uma tarefa. Elas não se gloriam das mangas que dão. Elas mangam porque são mangueiras. Mangar significa fazer pouco. Dizer que elas mangam é dizer que elas fazem pouco. Assim, as mangueiras mangam das obras que não são simplesmente a vagabundagem da natureza que dá o que dá apenas porque é o que é e como é...

(...) A gente pode amar até o inimigo, mas uma mulher a gente só ama com amor que carrega ternura, desejo, alegria, amizade, sublimidade, e, também, um "bicho". E isso, meu amigo querido, nenhuma oração faz nascer se não nascer por si mesmo. Vejo a fé reacender o amor adoecido e machucado no peito de quem um dia amou assim. Mas nunca vi esse tipo de amor re-surgir onde ele nunca existiu. (Caio Fábio)

Sim, viver vale muito a pena: descobrir-se na liberdade de nosso interior; na imensidão de cada uma das certezas particulares. Ou, até mesmo, nas fragilidades das dúvidas coletivas. Aproveitemos cada um de nossos dias. Sob a melodia da alma. Na companhia de quem nos quer bem. Daqueles que nos sorriem e que nos ajudam a sorrir novamente. Se somos complexos, tenhamos uma alternativa: vivermos a contemplação das coisas simples. Ainda que elas sejam clichês. E que isso nos importa (os clichês)? Haverá sempre quem cuide de nós. Cada um, a seu modo. Não mais. Não menos importante. Quando tudo se agitar dentro nós, lembremo-nos da bonança. Lembremo-nos de que há um lugar em nós que nunca poderá ser invadido. Nunca poderá ser profanado. Porque existem a vida e o sagrado, que não pára de existir.

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Para hoje, seleciono Gabriel, o pensador

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