FANTASIAS - DISFARCES & PERCEPÇÕES PERDIDAS

31/10/2007 - Categorias: Minhas reflexões  

Produção imaginária de um sujeito que expressa seu desejo imaginário inconsciente sob uma forma disfarçada.

Sob a perspectiva da psicanálise, é assim que o Larousse define a palavra fantasia. Essa produção imaginária que se manifesta em nós. E não me refiro somente a fantasias sexuais (esse é um outro departamento, até interessante, por sinal). Refiro-me à percepção que temos de nós mesmos e dos outros. Refiro-me à concepção equivocada que criamos no decorrer de nossa vida. Refiro-me à distorção que fazemos de nossa realidade.

Quando alimentamos em nós idéias que não correspondem aos fatos, tudo se transforma em fantasia. Em imaginação. Em produção imaginária. Até mesmo a dor, sob uma determinada perspectiva, pode ser fantasiosa. O nosso esforço deve ser no sentido de criarmos condições e instrumentos capazes de nos alertarem, de nos fazerem enxergar com lucidez, de nos fazerem pensar melhor. A loucura será sempre a ausência da lucidez. Ou parte dela.

Acredito que as fantasias têm função determinada. E deveriam ter vida curta. Prolongá-las seria o mesmo que passar pela vida sem sentir o sabor do que é real, do que nos faz sentir vivos, do que nos faz acreditar e ter esperança no amanhã. A realidade não é essa coisa subjetiva de que tanto se fala. A realidade é o equilíbrio. É o meu dia-a-dia. É a nossa certeza de que temos contas a pagar. De que dirigimos o nosso carro. De que estudamos. De que trabalhamos.

Não nos furtemos de expressar este desejo imaginário inconsciente sob uma forma disfarçada. Porém, lembremo-nos de que – para passar pela vida sem a angústia avassaladora de se sentir vazio – é necessária a lucidez. Porque, sem ela, a vida será o infinito desespero humano.

A desgraça de todos os homens.

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Para enriquecer nossa compreensão sobre o tema, sugiro a leitura da seguinte entrevista:
O mundo da fantasia...

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SEXO, DROGAS & ROCK'N ROLL

25/10/2007 - Categorias: Indicação de Leitura, Citações, Minhas reflexões  

"Todavia, não desejava concluir de todas estas cousas que o mundo tivesse sido criado pelo modo que propunha, pois é bem mais verossímil que, desde o começo, Deus o fez como devia ser. Mas é certo - e é opinião comumente aceita pelos teólogos - que a ação na qual ele agora o conserva é a mesma que aquela pela qual o criou. De modo que, se bem que não lhe tivesse dado, no princípio, outra forma que a do caos, embora estabelecesse as leis da natureza, ele prestou a esta - é de se crer - seu concurso, para que ela agisse como é do seu costume, sem prejudicar o milagre da criação; e, só por isso, todas as cousas que são puramente materiais teriam podido, com o tempo, tornar-se tais como as vemos no presente. E sua natureza é bem mais fácil de compreender quando as vemos, deste modo, nascer pouco a pouco, do que quando as consideramos completamente feitas." (René Descartes, pp. 106, 107)

Nascer pouco a pouco. Criar a revolução dos bichos. Testar as hipóteses das três leis de Newton. Seja lá o que for aquilo que nos move... isso é o que, em parte, somos. Será que somos nossas motivações? Às vezes, nada parece ser tão valioso do que amar a si mesmo. Descobrir-se a melhor companhia de sua própria existência. Não, isso não é agoísmo. É preservação. Preservar-se da morte em vida. Do suicídio coletivo. Ninguém deverá antecipar a sua hora da estrela. E quem são os cavaleiros que morreram na fogueira?

Às vezes, a transitoriedade da vida emerge como a única possibilidade de libertação. Mas, sobre isso, ninguém precisa concordar conosco. Ninguém precisa, nem mesmo, entender as nossas linhas. O nosso raciocínio. Deixemos de lado "os espíritos fracos e vacilantes que se deixam levar a praticar como boas as coisas que, a seguir, julgam más" (p. 75). "E só isso me parecia bastante para me impedir de desejar no futuro o que eu não pudesse adquirir e, desse modo, viver contente" (p. 75).

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DESCARTES, René. Discurso do Método. Tradução de João Cruz Costa. Rio de Janeiro: Edições de ouro.

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SER JOVEM, NUMA PERSPECTIVA CRISTÃ

18/10/2007 - Categorias: Indicação de Leitura, Especial, Citações  

Por Caio Fábio

Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas. Afasta, pois, do teu coração o desgosto e remove da tua carne a dor, porque a juventude e a primavera da vida são vaidade. Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer! (Livro de Eclesiastes, 11:9,10 e 12:1)

Aqui há quase um paradoxo. O jovem deve se recrear, andar por caminhos que alegram o coração e agradam os olhos. Ele, porém, deve saber que os atos da juventude podem deixar marcas e seqüelas. Por isso, a recomendação é no sentido de que se experimente a vida com bom-senso, buscando sempre os "bons prazeres". Isto porque no desejo de atender às demandas do coração nos dias da mocidade, e na intenção de andar por caminhos que satisfazem aos olhos, pode-se entrar no caminho da dor e do desgosto. Por isso, os "bons prazeres" precisarem ser vividos sem "os maus prazeres". Sim, há bons prazeres e maus prazeres nesta existência.

A recomendação, portanto, é para que se remova do coração o desgosto, e da carne a dor. Do contrário, a estação que é primavera da existência pode ser a fomentadora das dores existenciais de toda a vida. Ora, na minha maneira de ver, a "igreja" decidiu que não há bons prazeres e nem maus prazeres, visto que, para ela, o prazer em si é mau. E é em razão disto que se instalam na alma dos crentes os “vazios” nos quais entram os maus prazeres. O que estou dizendo? Sim, o que digo é que a tentativa de viver sem prazer cria o espaço para os maus prazeres, visto que a repressão do bom prazer gera as pulsões interiores que explodirão como maus prazeres. O que precisamos saber é que é assim que a alma funciona. Se você faz SUPRESSÃO e sublima um desejo ou sentimento, não sendo uma decisão do equilíbrio, isto mesmo voltará como tormento. E se alguém faz REPRESSÃO de sentimentos e desejos, eles voltarão como compulsões, e, dependendo do nível da repressão, podem aparecer como taras, fetiches e desejos incontroláveis.

(...) Assim, aproveite o vigor e a vitalidade da alma e suas constelações da poesia.

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Fonte: http://www.caiofabio.com, especificamente numa carta intitulada "Consertos para a juventude".

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