SECTARISMO: NÃO CABE A VOCÊ SEPARAR O JOIO DO TRIGO

28/01/2007 - Categorias: Cristianismo  

As igrejas e os partidos políticos tendem a dividir a humanidade em dois blocos: seus adeptos são o trigo; seus opositores são o joio. Porém, Jesus não joga o jogo do sectarismo. Sua mensagem não exclui ninguém e traz ao primeiro plano o homem com suas contradições e com sua liberdade. A lição que precisamos aprender é que o joio, que projetamos fora, encontra-se também em nosso interior. E só a maturidade nos permite diferenciá-lo do trigo. Admitir que temos um lado mesquinho poderia nos ajudar na busca dessa sabedoria madura. Negar a existência dessa pequenez pode produzir efeitos desastrosos. Pior: aquilo que expulsamos com orgulho pela porta da frente tende a voltar sorrateiramente pela porta dos fundos. Não espanta que o mundo esteja cheio de padres pedófilos, pastores ladrões, mulás fanáticos etc. A repetição mecânica dos textos sagrados não confere santidade a ninguém. (Revista Claudia, nº 12, ano 45, dezembro de 2006, reportagem As Palavras de Jesus Cristo à Luz do Século 21)

O fanatismo religioso - assim como a fome nos países pobres - mata; a intolerância - assim como as doenças infecto-contagiosas - precisa ser combatida. E o combate, no caso da intolerância (seja ela de que nível for), pode começar no coração de cada um, na consciência de que não temos nenhum direito sobre o caminho que o outro decidiu seguir. Penso que nada há de mais ridículo do que a ilusão de que nossas escolhas são melhores que as escolhas do nosso próximo. Nada há de mais ridículo do que a "falsa certeza" de que eu sou o trigo, e você é o joio.

Link permanente 483 visualizações - 298 palavras por Aline Menezes Email 11 comentários »

ALIENAÇÃO COMPORTAMENTAL DOS ENCONTROS EFÊMEROS

20/01/2007 - Categorias: Sociedade  

Ouvi um homem (algum especialista em "mulheres") explicar de que maneira os "chavequeiros" deveriam se comportar numa balada, na hora de azarar uma gatinha. Uma das pérolas ensinadas pelo "expert em chavecar" é a de que o boy não deve, sob hipótese alguma, deixar que uma garota o perceba chavecando a outra. Que coisa, não!? O argumento é: da mesma forma que as gatinhas têm o direito de escolher entre tantos o seu favorito, os caras também têm o direito de ir à luta.

Em seguida, o "professor" afirma que o cara precisa ter muito bom humor. As gracinhas precisam, de fato, ter graça... E por aí vai! Depois de escutar essas belíssimas explicações, pensei em coisas simples...

(Neste momento, sou obrigada a ouvir o meu vizinho com a sua sessão de fim de semana do Karaokê. Sinceramente, é irritante, para não falar palavras obscenas)

... já ouvi dizer que tudo nesta vida é efêmero, inclusive os encontros (às vezes, gosto das redundâncias). Será que essa célebre frase é para justificar a irresponsabilidade com a qual muitos encaram o seu dia-a-dia? Não sei. Penso que Pink & Cérebro deveriam dominar o mundo. Tudo seria mais engraçado.

É ÓBVIO que ninguém precisa casar-se com a primeira pessoa que lhe tascou um beijo. Longe de mim essa tolice. E a Inglaterra do século XIX já passou. A minha inquietação é saber que muitos de nós estamos alienados sob o argumento de que somos livres. Alguns de nós parecem não se importar com questões básicas de convivência social: o respeito pelo outro; a honestidade para com o outro; a admiração pelo outro; o conhecer o outro de uma maneira menos comprometida (ou comprometedora)...

Esquecem-se de que liberdade deveria gerar conforto, não alienação:

eis a angústia dos 'encontros efêmeros'.

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O RETRATO DE DORIAN GRAY

13/01/2007 - Categorias: Indicação de Leitura, Literatura Estrangeira  

Famoso por suas atitudes anti-convencionais e por ter escandalizado o mundo literário de sua época, Oscar Wilde é um dos grandes escritores da literatura inglesa. The Picture of Dorian Gray (1891) é o título original de sua obra-prima mais intrigante.

Frases

A finalidade da vida é para cada um de nós o aperfeiçoamento, a realização plena da nossa personalidade. Hoje, cada qual tem medo de si próprio; esquece o maior dos deveres: o dever que tem consigo mesmo. Naturalmente, o homem é caridoso. Dá de comer ao faminto, veste o maltrapilho. Mas a sua alma é que sofre fome e anda nua. A coragem abandonou a nossa raça. Talvez nunca a tenhamos tido. O temor da sociedade, que é a base da moral, e o temor de Deus, que é o segredo da religião... eis as duas coisas que nos governam. (Lorde Henry, p. 28)

Posso ser solidário com tudo, menos com o sofrimento. Tenho-lhe aversão. O sofrimento é hediondo, horrível, desalentador. Nessa simpatia moderna pela dor, há qualquer coisa de mórbido. O que se deve estimular é a cor, o belo, a alegria de viver. Quanto menos se iludir às tristezas da vida, tanto melhor. (Lorde Henry, p. 45)

Sempre há um quê de ridículo nas emoções das criaturas que deixamos de amar. (Oscar Wilde, p. 81)

Possivelmente, nunca parecemos tão à vontade como quando temos de representar um papel. (Oscar Wilde, p. 143)

O amor vive de repetição; e a repetição converte o apetite em arte. Ademais, toda vez que amamos, é o único amor da nossa vida. A diferença de objeto não altera a unidade da paixão. Intensifica-a, simplesmente. Cada um de nós tem, na existência, no mínimo uma grande aventura. O segredo da vida é reeditar essa aventura sempre que possível. (Lorde Henry, p. 158)

As coisas de que temos certeza absoluta jamais são reais. (Lorde Henry, p. 171)

(...) De resto, o que mais lhe doía não era a morte de Basil [Hallward] - era a morte, em vida, da sua alma. (Oscar Wilde, p. 175)

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WILDE, Oscar. O Retrato de Dorian Gray. São Paulo: Martin Claret, verão de 2006.

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