IGREJA: UM MUNDO PARALELO

27/06/2006 - Categorias: Especial  

Levemente inspirado numa pregação de Caio Fábio

Antes que eu seja spameada em blogs públicos, deixe-me esclarecer algumas coisas: (1) minha orientação religiosa é denominada "evangélica", descendente do protestantismo, dentro do cristianismo; (2) minhas críticas não são generalizadas; (3) há gente "sangue bom" em nosso meio; (4) há pastores inteligentes, que correm contra o equívoco dos demais.

O que quero dizer

A tendência das igrejas evangélicas é criar uma bolha em volta de seus membros: "não toques nisso"; "não toques naquilo"; "não leias isso"; "não vejas aquilo"; "não andes na roda dos escarnecedores" (para elas, escarnecedores são todos aqueles que não são daquela denominação, por isso, "são do mundo"). A propósito, a palavra "mundo" é aplicada de maneira extremamente equivocada, preconceituosa e perversa: cria-se um mundo paralelo.

Como diria Caio Fábio, estamos no Brasil, na América do Sul, no Planeta Terra, dentro de uma galáxia, no Universo... Isso é o mundo. Além dele, o que existe é o nosso interior. Do indivíduo. Portanto, pergunto: que loucura é esta da igreja de nos expulsar do mundo? Que esquizofrenia evangélica é essa? É o papo de que não somos deste mundo? A menos que se queira formar seres extraterrestres, a igreja não tem razão.

Quero ser gente - Foi o que pedi tão logo me deparei com a realidade religiosa. Realidade que mata o indivíduo, que tira dele sua natureza. Realidade que nos afasta de Deus, colaca-nos no centro como deuses, como seres perfeitamente perfeitos. Dentro daquela bolha, que você e eu conhecemos. Bolha que de tão grande explode. De tão pesada, afunda. Bolha que não sou eu, não é você. Não é ninguém.

Quero ser livre - Livre das cargas que eles não querem carregar. Livre da culpa, do medo de ir para o inferno. O inferno criado pela igreja, que prefere enviar os mundanos pra lá a trazê-los pra cá. Para o céu: da alma, da paz, do amor, da fé, da esperança, da compreensão, da alegria, da unicidade, da comunhão, da existência, do respirar, do hoje, do agora, do viver, do sentir, do gritar, do chorar, do irritar-se...

Do ser gente.

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ACREDITE

23/06/2006 - Categorias: Citações  

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ANO, foi um indivíduo genial, industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui por diante vai ser diferente. (Carlos Drummond de Andrade)

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FIGURAS DE INFÂNCIA

14/06/2006 - Categorias: Especial  

por Andréia Abbes*

Caminhei lentamente como quem conta nos passos os segundos de uma vida inteira, como quem revela os segredos da alma ao chão, como quem enterra ali as palavras do coração.

Ouvi o som do vento, como quem tenta decifrar sua melodia, suas palavras, como quem busca o tom de uma nova canção. De repente, o vento se calou, como quem se envergonha de sua afinação diante da platéia ou como quem desvia de si a atenção.

Olhei para o céu procurando nos desenhos das nuvens as figuras de infância, como quem busca em antigas imagens a inspiração de novas pinturas.

Me lembrei dos montes de tão firmes raízes e tão longas vestes verdes, encontrei as palavras que procurava... sussurradas ao meu ouvido, colhidas entre aquelas que guardamos para sempre onde a alma se refugia para escrever seus versos e copiar suas memórias.

"De onde me virá o socorro?"

Reescrevi em meus olhos, para afugentar meus temores... "o meu socorro vem do Senhor".

O sorriso me abraçou, como quem toma em seus braços a fonte de inspiração da vida ou como a criança que corre ao encontro do pai. Envolvidos pelo sorriso, meus lábios confessaram... o meu socorro vem do Senhor e isso me é suficiente!

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*minha amiga de alguns anos, que tem na alma a literatura de Deus e que me faz sorrir mesmo quando não posso.

P.S.: escrito em 12 de setembro de 2005.

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