Paris muda! mas minha melancolia não se move. [...] onde me perco e me exilo na memória. (Carta de Paris, Ana Cristina Cesar)
existem poucas coisas importantes na vida; em geral, tudo é insignificante. além disso, o mundo é feio, e são poucas as pessoas que têm a capacidade de reconhecer o que nos resta de belo. sim, porque - apesar da feiura do mundo - ainda ecoa pelo universo um pouco de beleza. talvez seja a isso que devamos gratidão.
quem consegue não se render à estupidez e à ignorância de aceitar que a nossa vida seja um produto fabricado em série? é o originial e único que me fascina. é o que é íntimo que me tira do meu estado de apatia anímica. onde encontrar gente disposta a entender tudo isso? a quem recorrer quando o que preciso é imensurável?
perde-se muito tempo procurando explicações. a vida não tem sentido; ela tem ecos de beleza. e eles viajam por muito longe. e quase ninguém os percebe. porque o cotidiano, as circunstâncias, as incapacidades, a indelicadeza, as vaidades, os preconceitos, as discriminações, as paranoias masculinas, as con(in)venções sociais... tudo tem efeito anestésico em nós.
Love is a shadow. (Sylvia Plath)
Às vezes, não sabemos o que temos conosco nem o que realmente somos. Tudo fica confuso dentro de nós. Tudo é apenas escuridão. A dor nos engana. Até o dia em que entendemos: é Deus quem sempre nos livra de nós mesmos...
TO BLEED
(by Aline Menezes)
It bleeds in me a silent and pure pain,
It bleeds in me a profane and noisy desire.
Tears that stream down from a hanging heart,
That still resists this worthless life.
My soul and my body confuse themselves
While I hope that you search for me.
I get down on my knees before God and I beg
For peace and faith find you.
I love you everyday, every night,
Every moment measured by my breath.
Nobody will ever feel how much
This broken and lonely heart bleeds.
Por que a vida é tão trágica? [...] A melancolia diminui à medida que escrevo. (Virginia Woolf, Diário)
é desta lucidez estranha e irracional que me escondo, nesta vida imunda que levamos, sombras infatigáveis. pergunto-me para quê. se nada vale o esforço, fragmento corroído pelas rachaduras da alma. tudo é insuportável, assim como dores de câncer. somos cães e porcos. morrer já não seria tão poético assim. miseráveis! putas! vira-latas! não é mallarmé. sou eu.
lágrimas solitárias que não me convencem da grandeza da vida. sempre mesquinha, apática, trapaceira e perversa. quem se importa? regurgitam vômitos de escárnio. vontade enlouquecida de gritar, gritar, gritar... estamos saturados da normalidade, da ordem, do mundo. ele, tão debochado!